4.10 Iniciativas

4.10 Iniciativas

A título individual, em alguns casos constituindo um coletivo ou organização institucional, têm surgido várias iniciativas de professores e investigadores de filosofia. Vejamos alguns casos particulares.

O “Canto da Filosofia”[1] merece especial referência pois foi um dos primeiros sites a surgir na internet sobre filosofia, pela mão de um professor de filosofia do sistema educativo português, António Rodrigues Gomes. O site original já não existe, havendo contudo uma versão de arquivo. Originalmente foi criado[2] para os alunos da Escola Secundária Emídio Navarro, em Viseu, contendo inúmeros recursos para aprender filosofia, tais como links para dicionários, textos, etc. Atualmente, existe um novo site, O Meu Baú[3], com muito interesse e um layout completamente renovado. Associada a este site surge uma página no Facebook[4] com o mesmo nome.

O “Jornal de Filosofia[5]” é um excelente blogue, com autoria de Helena Bray, com mais de um milhão de visitas. Está bastante bem organizado, com separadores para vários tópicos, tais como textos e materiais, testes e exercícios, exames, materiais de filosofia com crianças, etc. Contém uma quantidade apreciável de textos e outros materiais para o ensino da disciplina.

O blogue Dúvida Metódica[6] encontra-se alojado na plataforma Blogger, e está associado a uma página no Facebook[7] com o mesmo nome. É dinamizado por dois professores de Filosofia, Carlos Pires e Sara Raposo, que declaram na página inicial que

 

“O objectivo deste blogue é partilhar ideias e materiais com alunos, professores e outros eventuais interessados. Ideias e materiais úteis para o estudo e para o ensino da Filosofia no ensino secundário. O blogue constitui também um instrumento de trabalho que os autores e os seus alunos utilizam, em casa e nas aulas, como complemento dos Manuais adoptados na escola”[8].

 

O blogue caminha rapidamente para 3 milhões de visualizações, tem cerca de 300 seguidores, mais de duas mil entradas, sendo a primeira datada de 11 de agosto de 2008. As publicações são dirigidas a alunos e professores do ensino secundário, encontrando-se matrizes de testes, fichas de trabalho, textos de autores de referência, apontamentos para as aulas, calendários de exames, vídeos relacionados com os conteúdos da disciplina no ensino secundário e algumas entradas sobre filosofia com crianças.

No Facebook, a página conta com mais de 1000 “likes” e assume, essencialmente, a reprodução das publicações do blogue, com algumas outras notícias ou links de interesse geral.

Domingos Faria, professor e investigador com doutoramento em Filosofia, tem um blogue pessoal[9] no qual publica os seus artigos e comunicações, o curriculum vitae, jogos filosóficos e uma interessante ferramenta que “constrói automaticamente tabelas de verdade a partir de uma dada fórmula bem-formada da lógica proposicional”[10]. O blogue contém ainda valiosos recursos para o ensino da filosofia no ensino secundário e um serviço de explicações online[11].

“Crítica na rede”[12], de Desidério Murcho, é um dos mais importantes e completos sites de filosofia em português, tendo início em 1997. Contém inúmeros textos originais e outros traduzidos e publicados especificamente neste site. Abarca várias secções: epistemologia, estética, ética, filosofia da ciência, filosofia da linguagem, filosofia da religião, filosofia da mente, filosofia política, história da filosofia, lógica, metafísica. Contém o Dicionário Escolar de Filosofia[13] e um muito útil “Guia de falácias” de Stephen Downes[14]. Verdadeiramente, trata-se de uma revista eletrónica, com o registo ISSN 1749-8457. Inclui um serviço de subscrição de newsletter, através do qual é possível receber no e-mail as novas entradas. No Facebook[15], a Crítica conta com cerca de 8000 seguidores. Do projeto faz parte ainda um blogue[16], suportado em tecnologia Blogger.

A Crítica é um marco incontornável na internet em português e continua a ser, ainda hoje, o principal site filosófico português. Mensalmente acumula mais de 100000 visitas e permite a submissão de artigos para publicação, mantendo os autores todos os direitos legais para publicação.

LusoSofia[17] é uma biblioteca online de filosofia e cultura editada por numerosos professores e investigadores de várias universidades portuguesas. Fundada em 2008, acolhe “textos filosóficos clássicos, dissertações, ensaios, artigos recentes e menos recentes, recensões, etc.”[18]. O site apresenta um significativo acervo de textos clássicos mas pretende ser, igualmente, um “lugar de diálogo”, “um areópago do pensamento filosófico e cultural” ao serviço da lusofonia. O número de artigos publicados é bastante significativo, mas esta biblioteca orienta-se fundamentalmente para professores e investigadores de filosofia.

 

Por fim, o projeto no qual me encontro ativamente envolvido. “Páginas de Filosofia” – PdF – foi lançado a 15 de outubro de 2007, então na plataforma gratuita WordPress[19] pelos professores Rui Areal e Sérgio Lagoa, juntando-se-lhes posteriormente a professora Clara Cardoso Pereira. O objetivo essencial do blogue era a disponibilização de textos, vídeos e outros materiais para os alunos face à pobreza e escassez das bibliotecas das escolas secundárias. Paralelamente, procedia-se à divulgação de eventos de interesse para a comunidade filosófica nacional – novidades editoriais, conferências, eventos, etc. Em pouco mais de um ano o blogue atingiu 300000 visitas. O blogue passou entretanto a proceder à divulgação de novidades editoriais e eventos nacionais no âmbito da filosofia. Entretanto, o conceito de comunicação unidirecional foi repensado: em lugar de uma comunicação “de um para muitos”, começou a surgir a ideia de construir uma comunidade em torno do PdF que permitisse a comunicação multilateral, “de muitos para muitos”. Depois de uma passagem pela plataforma Blogger[20], em 2014 o blogue passou a estar alojado num servidor pago e com um domínio próprio, procurando uma maior interatividade e mais possibilidades operacionais. Assim, os leitores do PdF passaram a ter a oportunidade de participar nas publicações do site, existindo várias contribuições de autores externos à equipa[21]. Os próprios alunos são chamados a participar, publicando autonomamente alguns trabalhos[22]. Atualmente, o PdF disponibiliza vários serviços, designadamente:

  • Cinco linhas editoriais preferenciais: Didática da Filosofia, Filosofia da Informação, Filosofia com Crianças e Jovens, Cinema e Filosofia e Filosofia Política, em função dos principais interesses dos seus autores.
  • Nas redes sociais, existe uma página no Facebook[23] através da qual procedemos à divulgação das publicações do blogue e ofertas de emprego. Esta página conta com cerca de 16400 “likes” e é seguida por utilizadores provenientes de Portugal, Brasil, México, Argentina, Colômbia, Espanha e Angola, entre outros. Associado à página surge o grupo Filosofia e Ensino, com quase 2700 membros. No Youtube, o PdF dispõe de um canal próprio[24] onde são selecionados os vídeos mais interessantes para a lecionação da disciplina no ensino secundário. Este canal tem cerca de 120 subscritores. No Twitter[25] o PdF acumula mais de 4000 tweets e tem perto de 10000 seguidores.
  • Plataforma Moodle[26], com vários cursos disponíveis. A disponibilidade desta plataforma levou a que, em 2016, fosse realizado um curso de formação em temáticas da Filosofia Contemporânea[27], em colaboração com a Apf – Associação de Professores de Filosofia. Para setembro de 2017 está agendado um curso de formação, integralmente online, sobre lógica no ensino secundário[28] e várias outras iniciativas formais ou informais.
  • Explicações online[29], um serviço que conjuga a plataforma Moodle com serviços de videoconferência (hangout ou Zoom) utilizando vários recursos multimédia.
  • “Aprender a Pensar”[30], um serviço de Filosofia com Crianças prestado pela professora Clara Cardoso Pereira.
  • Materiais para as aulas de filosofia do ensino secundário.
  • Uma coleção de livros de filosofia em formato digital, OER (Open Educacional Resource), contemplando obras como “Ética a Nicómaco” de Aristóteles, “Cidade do Sol” de Campanella, “Discurso do Método” de Descartes, “Fenomenologia do Espírito” de Hegel, “Crítica da Razão Pura” de Kant, “Sobre a Liberdade” de Locke, “Utilitarismo” de Mill, “Teeteto” de Platão, “Ética” de Espinosa e “Tractatus” de Wittgenstein, entre outros. Todas as obras estão em domínio público.
  • O acervo de todos os exames nacionais de filosofia realizados desde 1998 até à data.
  • Fóruns de discussão[31], com relevo para um fórum onde, gratuitamente, são esclarecidas dúvidas a qualquer utilizador do site, independentemente de ser ou não aluno dos professores que compõem o projeto. O funcionamento do fórum é assegurado pelos plugins BuddyPress e bbpress, já referenciados.
  • Tertúlias filosóficas, organizadas pelos dinamizadores do site.
  • Ofertas de emprego e formação[32], uma página com conteúdos gerados automaticamente, sem intervenção direta dos administradores.
  • Agenda filosófica[33], com a calendarização dos eventos filosóficos a decorrer na comunidade filosófica portuguesa. A maior parte dos eventos encontra-se previamente na Lekton[34].
  • A Comunidade de Leitores de Filosofia, uma experiência realizada em 2015, totalmente online, na qual se propunha discutir um livro de filosofia. A obra escolhida foi “Escritos sobre uma vida ética”, de Peter Singer, e a comunidade foi constituída numa disciplina Moodle[35]. Terá sido a primeira comunidade de leitores de filosofia integralmente online.

 

Figura 25 Comunidade de Leitores de Filosofia Online

 

Atualmente o PdF contabiliza 1,7 milhões de visualizações do site e mais de 2000 publicações.

 

Os sites publicados ao longo dos últimos 20 anos evoluíram bastante, tornando-se progressivamente mais interativos, muito por força da presença nas redes sociais. A inovação tecnológica tem sido tímida, com muito poucos desenvolvimentos além dos disponibilizados pela tecnologia gratuita, e sem a interatividade que seria possível, muito por força da reduzida dimensão da comunidade filosófica portuguesa.

[1] Cf. https://archive.is/0iMGl

[2] Cf. https://ocanto.wikispaces.com/Entrada

[3] Cf. http://omeubau.net/

[4] Cf. https://www.facebook.com/omeubau.net/

[5] Cf. http://jornaldefilosofia-diriodeaula.blogspot.pt/

[6] Cf. http://duvida-metodica.blogspot.pt/

[7] Cf. https://www.facebook.com/duvidametodica3

[8] Cf. http://duvida-metodica.blogspot.pt

[9] Cf. http://blog.domingosfaria.net/

[10] Cf. http://blog.domingosfaria.net/2017/07/construtor-de-tabelas-de-verdade-e.html

[11] Cf. http://blog.domingosfaria.net/p/explicacoes-online.html

[12] Cf. www.criticanarede.com

[13] Cf. http://criticanarede.com/dicionario.html . Trata-se da versão online e gratuita do Dicionário Escolar de Filosofia, com organização de Aires Almeida, publicado pela Plátano Editora em 2003 e que sofreu uma revisão substancial em 2009.

[14] Cf. http://criticanarede.com/falacias.html . Este guia de falácias é uma tradução de Júlio Sameiro do original de Stephen Downes, um dos autores do Conectivismo.

[15] Cf. https://www.facebook.com/Cr%C3%ADtica-na-rede-152009041478254/

[16] Cf. http://blog.criticanarede.com/

[17] Cf. http://www.lusosofia.net/

[18] Cf. http://www.lusosofia.net/perfil-e-meta-do-sitio.php

[19] Cf. https://paginasdefilosofia.wordpress.com/

[20] Cf. https://paginasdefilosofia.blogspot.pt/

[21] Por exemplo, António Aresta em http://www.paginasdefilosofia.net/um-filosofo-macau-no-seculo-xix/ e Luís de Sousa Rodrigues em http://www.paginasdefilosofia.net/a-perspetiva-deontologica-de-kant/

[22] Cf. http://www.paginasdefilosofia.net/trabalhos-de-alunos/

[23] Cf. https://www.facebook.com/paginasfilosofia/

[24] Cf. https://www.youtube.com/user/paginasdefilosofia

[25] Cf. https://twitter.com/paginasfilo

[26] Cf. http://moodle.paginasdefilosofia.net

[27] Cf. http://moodle.paginasdefilosofia.net/course/view.php?id=13

[28] Cf. http://moodle.paginasdefilosofia.net/course/view.php?id=14

[29] Cf. http://www.paginasdefilosofia.net/formacao/explicacoes/

[30] Cf. http://www.paginasdefilosofia.net/filosofia-com-criancas/

[31] Cf. http://www.paginasdefilosofia.net/forums/forum/forum-pdf/

[32] Cf. http://www.paginasdefilosofia.net/emprego-e-formacao/

[33] Cf. http://www.paginasdefilosofia.net/agenda/

[34] A Lekton é uma lista de distribuição da Sociedade Portuguesa de Filosofia suportada tecnologicamente pela Universidade de Évora, conforme se pode ler em http://spfilosofia.weebly.com/lekton.html

[35] Cf. http://moodle.paginasdefilosofia.net/course/index.php?categoryid=3

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