4.2 Gestão de aprendizagens

4.2 Gestão de aprendizagens

Existem várias ferramentas de gestão de aprendizagens, as chamadas Learning Management Systems (LMS). As mais comuns são o Moodle e o Blackboard, mas já é possível iniciar com soluções ainda mais simples, como os blogues. Note-se, em rigor, que os blogues não são plataformas LMS, mas as possibilidades de evolução recente introduziram novas soluções, e por isso os vamos explorar.

Blogger[1] é um serviço do universo Google que permite a utilizadores sem experiência criar um blogue pessoal. A plataforma existe desde 1999, mas foi adquirida posteriormente pela Google. Embora visualmente o layout dos vários modelos seja muito simples, as funcionalidades disponíveis são bastante intuitivas. O administrador de um blogue nesta plataforma pode publicar mensagens (texto, áudio, vídeo), fazer sondagens junto dos seus leitores e adicionar aplicações, muitas das quais externas ao universo Google, tais como formulário de contacto, Wikipedia[2], notícias, informações meteorológicas, relógio, agenda de eventos, feeds externos, links para sítios interessantes, etc. É ainda possível adicionar uma função de subscrição automática de cada publicação, permitindo aos subscritores a receção imediata, por e-mail, dessa mesma publicação. Cada blogue pode ser público ou reservado a apenas alguns leitores, restringindo a sua visualização na internet, uma função eventualmente útil para blogues de turma.

Em 2014, a Google disponibilizou o Google Classroom para escolas, e em abril de 2017 tornou-o acessível para todos os utilizadores. O Google Classroom é uma suite de aplicações que integra os serviços prestados pelo Blogger com todos os outros serviços Google: rede social (Google Plus), pesquisa (Search), Youtube (vídeos), mapas, notícias, correio eletrónico, Drive (para partilha e submissão de ficheiros), calendário (agendamento de tarefas), grupos (e fóruns de discussão), tradutor automático, fotos, livros, documentos (texto, folha de cálculo, apresentações, sendo possível editar online documentos em formatos populares como Word, Excel e Powerpoint), hangouts (conversações em tempo real com texto, áudio e imagem), etc. Trata-se, verdadeiramente, de uma plataforma de blendedlearning com funcionalidades de LMS, com a vantagem de ser acessível para smartphones ou outros aparelhos móveis através de uma aplicação para utilizadores iOS e Android. O sistema permite guardar cursos para posterior reedição e atribuir códigos de acesso a cada utilizador. A maior vantagem do Google Classroom reside na diversidade de produtos Google disponíveis, mas essa é também uma das suas desvantagens, pois não é possível utilizar aplicações de terceiros. O serviço foi ainda criticado por uma possível quebra de privacidade cometida junto de estudantes[3], muitos deles crianças, sem o consentimento dos seus pais[4].

 

Figura 2 Google Classroom

 

Note-se que o Google Classroom é um conjunto de produtos ou serviços que se situa já muito além do mero blogue disponível inicialmente na plataforma Blogger.

Atualmente, o maior fornecedor a nível mundial de blogues é a plataforma WordPress[5].

WordPress[6] surgiu em 2003 e é um serviço de sites e blogues, gratuito ou pago, com centenas de modelos (templates) diferentes e com a possibilidade de se comprar um novo modelo e implementá-lo num servidor próprio. Existem templates específicos para comércio online, revistas e jornais, portefólios, projetos ou sites dedicados especificamente à educação. Possui todas as funcionalidades do Blogger e acrescenta uma quantidade notável de widgets, sobretudo nos planos pagos. Um widget é uma espécie de miniaplicação que permite incorporar serviços no site, tais como calendário, etiquetas, marcadores, etc.. Uma das funções mais interessantes do WordPress é a possibilidade de determinar vários níveis de utilizador: administrador, editor, colaborador, leitor, cada um deles com diferentes permissões no acesso à página. Essa é uma funcionalidade interessante para quem desejar desenvolver uma atividade colaborativa, como um blogue de turma, pois o professor (administrador) terá a decisão final na aprovação das publicações e nos comentários de cada aluno (colaborador ou editor), sendo os restantes utilizadores registados como leitores, se necessário.

O mais importante no WordPress são os plugins disponíveis. Alguns são muito importantes para professores que queiram desenvolver um bom site para os seus alunos. Dada a enorme quantidade de plugins disponíveis – mais de 50 000 – salientaremos aqui apenas alguns.

O plugin BuddyPress[7] permite criar perfis de utilizadores, fóruns de discussão, grupos de trabalho, trocar mensagens diretas dentro do site, etc. Para tal, é útil o recurso ao bbpress[8], um plugin associado.

LearnPress[9] é um plugin que permite fazer do site instalado em WordPress um verdadeiro LMS. Trata-se de um plugin que permite transformar o site numa plataforma de gestão de aprendizagens, criando um curso com estrutura semelhante à que podemos encontrar nos MOOC das melhores fornecedores deste tipo de cursos[10], como Coursera[11] ou Udemy[12]. Existem ainda temas WordPress previamente configurados para gestão de aprendizagens, mas muitos são pagos, como o Education WordPress Theme[13]. Do ponto de vista do utilizador, a criação e gestão de um curso online é extremamente simples, ainda que exija algum traquejo. Existem centenas de plugins para educação, com soluções muito específicas para cada caso, que vão desde a importação de cursos da plataforma Moodle para WordPress (Edwiser Bridge – WordPress Moodle LMS Integration[14]) até à criação de currículos automáticos a partir de perfis do Facebook e do LinkedIn (Resume[15]).

Existem alternativas ao Blogger e ao WordPress. Uma delas é o Livejournal. Livejournal é um serviço online que permite a criação de jornais digitais. Assemelha-se a uma plataforma de blogues, embora se assuma como comunidade de publicação, um misto de blogue e rede social. O site assume[16] que a popularidade se concentra, atualmente, na Rússia e em Singapura, o que se trata de uma evolução interessante, dado que há alguns anos se tratava de um serviço bastante popular no mundo ocidental, com relevância na criação de jornais digitais personalizados. Enquanto serviço para criação de uma revista eletrónica de uma escola ou turma, esta é uma plataforma a considerar.

Mencione-se ainda o Tumblr[17]. Trata-se de uma plataforma lançada em 1992 e que tem tido um sucesso considerável[18], crescendo sobretudo entre os utilizadores mais jovens. É um híbrido entre o blogue (WordPress, Blogger) e o microblogging (Twitter), com caraterísticas de rede social e muito fácil de utilizar num smartphone.

Serviços como o Livejournal, Blogger ou WordPress, permitem criar um “Jornal de Filosofia”, pertencente a uma turma, no qual todos os alunos colaboram para fazer uma edição com uma periodicidade definida (mensal, trimestral ou anual). Dependendo da plataforma utilizada, é possível inscrever utilizadores no blogue, com categorias e papeis tais como “leitor”, “editor” ou “administrador”, entre outras, o que envolve diferentes permissões de acesso. Em função da periodicidade definida e após aprovação dos vários contributos por parte do professor (administrador), o blogue pode ser publicado. Trata-se de uma modalidade de trabalho colaborativo, em que os alunos não apenas cooperam entre si para a execução do jornal digital, como podem corrigir, aperfeiçoar, discutir os assuntos tratados por todos. A culminar este processo, o blogue-jornal digital pode ser transformado em e-book, o que dá um resultado final muito interessante. Existem vários serviços para isso, tais como Beacon[19], Bloxp[20], Zinepal[21], etc.

[1] Cf. https://www.blogger.com/

[2] Sobre a utilização educativa da Wikipedia, tantas vezes maltratada, é importante ler o estudo de Maria Filomena Pestana “A Wikipédia como recurso educacional aberto: conceções e práticas de estudantes e professores no ensino superior online”, disponível em http://repositorioaberto.uab.pt/handle/10400.2/3370

[3] Note-se que a questão da privacidade online é um tema emergente e que pode ser inserido no âmbito da Filosofia da Informação. Pedagogicamente, os professores devem ter em conta a legislação respeitante à proteção de dados de menores.

[4] Cf. http://appleinsider.com/articles/17/04/19/eff-google-chromebook-is-still-spying-on-grade-school-students

[5] Cf. https://wordpress.com/

[6] Compare com https://wordpress.org/

[7] Cf. https://buddypress.org/

[8] https://bbpress.org/

[9] Cf. https://pt.wordpress.org/plugins/learnpress/

[10] Um vídeo ilustrativo do processo pode ser visionado em https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=rRWPl5-Hb4k

[11] Cf. https://pt.coursera.org/

[12] Cf. https://www.udemy.com/

[13] Cf. https://themeforest.net/item/education-wordpress-theme-education-wp/14058034?s_rank=3

[14] Cf. https://edwiser.org/bridge/

[15] Cf. https://pt.wordpress.org/plugins/powr-resume/

[16] Cf. http://www.livejournal.com/about

[17] Cf. https://www.tumblr.com/

[18] Cf. https://www.emarketer.com/Article/Tumblr-Struggles-Grow-Its-User-Base/1013596

[19] Cf. https://beacon.by/

[20] Cf. http://www.bloxp.com/

[21] Cf. http://www.zinepal.com/

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