4.4 Criação, edição e publicação de vídeo

4.4 Criação, edição e publicação de vídeo

Os sites de vídeos são muito populares na internet, com destaque para o Youtube. Mas tentemos encontrar um propósito educativo, e especificamente filosófico, para lá da imensidão de horas publicadas pelos vulgares utilizadores.

O Vimeo[1] é um site que permite hospedar, vender e comprar vídeos, ao qual se pode aceder gratuitamente, mas contempla planos pagos que permitem aos utilizadores uma maior capacidade de armazenamento, além de ferramentas de produção e edição de vídeo. Os planos pagos permitem eliminar anúncios na visualização de vídeos.

O Daily Motion[2] foi fundado em 2005, no mesmo ano do Youtube, mas teve menos sucesso. Ainda assim, constitui uma alternativa para a publicação geral de vídeos.

O Youtube[3] é o mais popular dos sites de vídeos. Foi fundado em 2005 e um ano mais tarde adquirido pela Google. É possível fazer o upload de vídeos e visionar os vídeos de outros utilizadores. Do ponto de vista educativo, o Youtube contém milhares de vídeos que constituem recursos úteis para as aulas. No caso específico do ensino de filosofia, é possível encontrar canais próprios, como «No Jardim da Filosofia»[4], um canal institucional com o apoio da Didática Editora, com uma série de pequenos vídeos nos quais alguns especialistas explicam determinado assunto, como o livre-arbítrio, o conhecimento, a estética, a lógica, etc. Os vídeos são apresentados por Aires Almeida e os entrevistados são investigadores e professores reconhecidos, como Porfírio Silva, Ricardo Santos, José Gil, Desidério Murcho, Anthony Grayling, Adriana Silva Graça, Peter van Inwagen, etc.

Existem muitas iniciativas de criação de canais de vídeos de produção própria, sobretudo no Brasil. Um exemplo é o canal «Filosofia e Sociologia para ENEM e vestibulares»[5], do professor Anderson Pinho, com dezenas de vídeos sobre a filosofia política de Platão, o epicurismo, um curso de ética, etc. “Escola de Filosofia” é um canal semelhante no qual são tratados temas não necessariamente correspondentes aos conteúdos do ensino institucional de filosofia no Brasil.

De um modo geral, os canais criados por utilizadores individuais, sem o suporte de uma editora ou de outra instituição, como uma universidade, são tecnicamente rudimentares. Em geral, trata-se de um indivíduo, nem sempre especialista, que disserta ou divaga acerca de um tema, sem grande profundidade ou rigor de análise. Os vídeos são tipicamente maçadores, desinteressantes e praticamente desprovidos de preocupações didáticas. O facto de nem todos os vídeos ou canais serem fiáveis poderia levar-nos a discutir as literacias digitais e o pensamento crítico que lhes está associado; aliás, essa é uma preocupação que deve estar associada a qualquer conteúdo na internet, sobretudo se utilizado com fins educativos. De algum modo, já abordamos essa questão a propósito do neo-indivíduo de Michel Serres.

Qualquer pessoa pode, portanto, criar os seus vídeos e colocá-los online, como por exemplo este vídeo sobre blended-learning[6].

Figura 4 Blended Learning

 

Os vídeos produzidos pelas editoras são mais profissionais. Por vezes são animações originais bastante sintéticas, mas constituem recursos úteis para os estudantes gerirem o autoestudo. Embora as editoras costumem restringir o acesso a este tipo de vídeos, é frequente serem encontrados no Youtube poucas semanas após a sua publicação[7].

A produção de um vídeo pode ser enriquecida diretamente com atividades. O Creator Studio[8], do Youtube, permite editar vídeos, acrescentando texto, som, imagem e efeitos. Wevideo[9] é uma plataforma que permite gerir e editar vídeos, com pacotes de soluções específicas para escolas. Animoto[10] é um serviço web que permite criar vídeos personalizados a partir de ficheiros de imagens, música ou vídeo. Existem muitos outros serviços que permitem adicionar questões e comentários nos vídeos: Playposit[11], Vibby[12], VideoAnt[13], VideoNote[14], MoocNote[15], Magisto[16], etc. Caberá a cada professor escolher a ferramenta que melhor se adequa às suas particularidades.

A introdução de comentários ou questões nos vídeos permite alguma interatividade com os alunos, que são impelidos a ver o vídeo na totalidade e com alguma atenção para poderem prosseguir a visualização. Vídeos sobre os conteúdos de filosofia acompanhados de comentários e questões podem constituir uma ferramenta de ensino de introdução ou revisão dos vários problemas abordados na disciplina ao longo do ano letivo, e possuem a particularidade de poderem ser vistos em qualquer lugar, no computador, no tablet ou no telemóvel.

Os vídeos não têm necessariamente de ser produzidos pelo professor ou pelas instituições de ensino. Dado que produzir um vídeo é uma tarefa simples, pode-se solicitar um trabalho em vídeo a todos os alunos de uma turma para posterior publicação num canal próprio no Youtube ou numa página eletrónica específica. No caso particular dos vídeos, convém ter em conta a legislação em vigor sobre a proteção de dados e compreender em que consiste a privacidade online. Debates televisivos ou realizados na própria escola podem ser alvo de um trabalho que vise especialmente as competências argumentativas.

[1] Cf. https://vimeo.com/

[2] Cf. http://www.dailymotion.com/

[3] Cf. http://www.youtube.com/

[4] Cf. https://www.youtube.com/channel/UC7kbocSWFHHOjFrFZRvTjkA

[5] Cf. https://www.youtube.com/user/profandersonpinho

[6] Cf. https://www.youtube.com/watch?v=shHXFwm66_M&feature=plcp

[7] Um exemplo da situação descrita é a dos vídeos da Porto Editora, disponíveis na plataforma própria do manual mas também em https://www.youtube.com/watch?v=bF7thHlzBDc , Contudo, é vulgar serem rapidamente aplicadas restrições de acesso, sendo os vídeos posteriormente apagados.

[8] Cf. https://www.youtube.com/editor

[9] Cf. https://www.wevideo.com/

[10] Cf. https://animoto.com/

[11] Cf. https://www.playposit.com/

[12] Cf. https://www.vibby.com/

[13] Cf. https://ant.umn.edu/

[14] Cf. http://www.videonot.es/

[15] Cf. https://moocnote.com/

[16] Cf. https://www.magisto.com/

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