A bioética traduzida para simples mortais

O mundo não é um lugar perigoso, e é a ignorância que provoca o medo.
Sempre que tive o privilégio de ouvir falar o cientista Alexandre
Quintanilha, foi com essa certeza que fui contagiada.

Numa linguagem sempre muito clara e cheia de humor, tem a capacidade de
traduzir a ciência (aquela que em si não é boa nem má, tudo depende do uso
que lhe dermos, como diz), tornando-a acessível ao comum dos mortais (de
preferência, aqueles que são capazes de acreditar em ideias que não vão ao
encontro das suas “verdades”).

Percebe-se que olha o mundo dentro e fora dos laboratórios, com os mesmos
olhos azuis curiosos e transparentes.

Fala de risco (porque não lhe resistimos!), de migrações, de racismo ou de
stress, como alguém que não precisa de óculos porque não tem a visão turva
por preconceitos, talvez por ter nascido em África, trabalhado 20 anos nos
EUA e viver na Europa; talvez porque insiste que as suas equipas tenham
gente de todas as áreas e de todo o mundo; talvez porque começou por se
licenciar e doutorar em Física Teórica, ficando a conhecer os bastidores
da nossa existência; talvez porque, ao decidir-se, depois, pela Biologia,
tenha acabado por conhecer os seres humanos por dentro e por fora.

É por tudo isto que o professor da Faculdade de Ciências Biomédicas,
director do Instituto de Biologia Molecular e Celular, e especialista em
Bioética, é a pessoa ideal para nos ajudar a desfazer mitos e a ser capaz
de «ter opinião» quando nos confrontam com mães que dão à luz oito filhos,
decisões de «desligar máquinas» como no caso de Eluana, notícias de bancos
de esperma, de prémios Nobel ou da possibilidade da clonagem humana, entre
o leque de dilemas que nos deixam com a impressão de que o cinzento, como
os glutões do Presto, engole a toda a velocidade o preto e o branco das
nossas convicções.

Mas agora a boa notícia. Se mora no área do Grande Porto, amanhã
(quinta-feira) pode escutar e interpelar Alexandre Quintanilha, na
conferência/debate «Novas Éticas». Vai acontecer pelas 21h30, na Casa
Jorge de Sena, na Rua do Bonjardim, 495. A entrada é livre. Acredite que
tenho inveja de si.

Isabel Stilwell

http://www.destak.pt/artigos.php?art=22150

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