A crise económica do cérebro

“Os economistas falham nas crises porque não conhecem as pessoas”. Assim de lê na capa do livro «Neuro Economia – Ensaios sobre a sociobiologia do comportamento». Sob a chancela das Edições Sílabo, a obra da autoria de José Eduardo de Carvalho, não é uma publicação sobre neurologia ou um livro técnico sobre economia, mas uma análise de comportamentos e atitudes, escolhas e ambições, necessidades e futilidades que levam a determinados investimentos ou a consumir ou não um produto. 

Será a Economia uma ciência social? Segundo o autor, é pertinente colocar a questão. “O impacto das neurociências, na cultura contemporânea, veio criar uma revolução na teoria económica dominante” e, após um crescimento da discussão sobre as consequências que provocou na sociedade, surgiu um novo conceito – a neuroeconomia, refere. 

José Eduardo de Carvalho explica que o que determina a acção humana é o cérebro, na sua busca de felicidade e bem-estar, e, por isso, muitas das teorias de economistas, e de outros auto-intitulados de cientistas sociais, são fundamentadas na intencionalidade humana que resulta de uma tomada de decisão racional a partir da qual se avaliam custos e benefícios. 

Historicamente, nunca se deu muita atenção ao modo como o dinheiro influenciava as pessoas. Acreditava-se que nos comportamos de forma racional perante estímulos, ponderando custos e benefícios antes da tomada de decisão. No entanto, nem sempre existe a combinação do desejo pelo produto versus utilidade e a reflexão pelo seu preço. 

“Vivemos numa sociedade onde a tendência para fazer compras compulsivas é um legado”, sublinha o escritor. Explica ainda que própria publicidade funciona como emoção agradável. 

O ‘neuromarketing’ 

O livro está organizado em 16 capítulos, onde os primeiros traçam uma resenha histórica de teorias e escolas sobre o comportamento económico, outros abrem a janela sobre o melhor conhecimento de nós próprios, as consequências da oniomania na civilização do desejo ou ainda o aproveitamento da neuroeconomia nas estratégias de maketing. 

É dentro do enquadramento deste temática que se movimenta o ensaio de José Eduardo de Carvalho, que ressalva, contudo, que o grau de receptividade e assimilação da exposição fica ao livre arbítrio dos leitores. 

José Eduardo de Carvalho é professor catedrático em Ciências da Economia e Gestão das Organizações, mas os seus interesses evoluíram para áreas de conhecimento da genética, neurociência e epistemologia das Ciências Sociais. No campo editorial, é autor de uma dezena de livros e já foi publicado em diferentes revistas especializadas.

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