A pena de morte é moralmente aceitável?

É pelo menos curioso que um pensador que recusa a moralidade da eutanásia, afirme a moralidade da pena de morte. Esse pensador existe. É David Oderberg, que apresenta com a sua habitual clareza de discurso, o seu argumento em defesa da pena de morte no seu livro Ética Aplicada recentemente editado entre nós pela Principia. Diz-nos o seu argumento que se aceitarmos o princípio da proporcionalidade devemos admitir que o pior castigo possível se deve seguir ao pior crime possível. [Conferir argumento no seu livro nas páginas 193-199, e um pequeno excerto/resumo aqui. Para a sua rejeição da Eutanásia ver aqui alguns excertos da sua argumentação].
Se o pior castigo possível é a pena de morte, e se podemos conceber um crime que seja o pior crime possível, então segue-se que devemos aceitar a moralidade da pena de morte como castigo para o pior crime possível. Como dar a volta a este argumento?
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3 Comments

  1. Eu, que não li o livro e baseando-me apenas no que é aqui dito, diria que:

    a) A defesa da imoralidade da eutanásia quase que implica a aceitação que a pena de morte não é o maior castigo possível;

    b) a proporcionalidade, em justiça, não é directa. É intermediada por um conjunto de valores que estabelecem a sua própria proporção relativa entre crime e castigo. A boa justiça, apesar de cega, não pode deixar de ser contingente.

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