António Manuel Martins, “Modelos de Democracia”

A grande viragem histórica de 1989 veio dar origem a uma quarta onda de democratização que elevou para 65 o número de Estados com constituições democráticas. Alguém sugeriu no último Congresso Mundial da International Political Science Association, em Berlim, que o séc. XX seria
designado nos manuais de história dos séculos futuros como o século da democracia. O optimismo que esta sugestão deixa transparecer, contudo, não é partilhado por todos. E com boas razões. De facto, os sinais de crise multiplicam -se. O colapso do sistema partidário em democracias que se
supunha estarem consolidadas e que, de repente, manifestam sinais claros de involução, o aumento da exclusão social e do fosso entre ricos e pobres nos EUA e em outras democracias ocidentais, a perda crescente de autonomia e o concomitante sentido de impotência provocados pela globalização da economia transnacional são apenas alguns dos indícios de um mal estar indisfarçável presente, em maior ou menor grau, nas democracias ocidentais. Por outro lado, continua a ser verdade que a democracia é minoritária no conjunto dos países representados nas Nações Unidas e coincide, em grande parte, com a zona de influência da cultura ocidental. A democracia percorreu um longo caminho desde a sua emergência na Grécia Antiga encontrando-se hoje numa encruzilhada onde se vislumbram múltiplas saídas . A complexidade das transformações históricas da democracia e de outros regimes políticos concorrentes obrigam a uma reflexão mais diferenciada em ordem a poder responder às exigências do presente.

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