António Pedro Pita, “Presença, Representação e Sentimento”

Para que a obra se torne objecto estético e para que , pelo objecto estético , o sensível se exprima, na consagração que é o seu próprio desenlace, o espectador não deveria ser senão um meio 3. A obra e o espectador encontrar- se-iam absolutamente num plano pré-reflexivo , constituindo uma totalidade.
É certo que, num concerto , eu estou perante a orquestra : mas estou dentro da música; e não é menos certo que, colocado diante de um quadro, é só uma coisa aquilo que vejo enquanto não me deixar invadir pela cor. O espectador está inteiramente comprometido na obra: “a presença ao objecto tem qualquer coisa de absoluto, (…) o absoluto de uma consciência inteiramente aberta e como que possuída pelo que projecta”. Então, do ponto de vista da integral expressividade da obra, “estar perante” é ainda insuficiente porque aquilo a que ela aspira é que, nela, o espectador se perca.
Qualquer coisa, sublinhamos. Na exacta medida em que o espectador é um corpo que traz em si uma história que o transcende e de que investe o olhar, o plano da presença está condenado à superação.

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