As respostas que Sócrates lhe daria

Quando Alexander George decidiu escrever o livro Que diria Sócrates?, não estava certamente a pensar no primeiro-ministro de Portugal. O que é pena, já que garante, logo no subtítulo, que Sócrates é capaz de responder a todas as nossas «perguntas sobre o amor, o nada e tudo o resto», poder que dava imenso jeito ao «nosso», particularmente nesta crise e quando as campanhas negras e as insinuações de pres-sões continuam a despontar como cogumelos. 

Falando a sério. A obra nasce da compilação dos melhores textos de um site da internet (askphilosophers.org), em que filósofos de carne e osso põem o seu saber ao serviço do público, respondendo às inúmeras perguntas com que todos os dias são inundados. 

O objectivo é esse mesmo: deixar claro que a filosofia não está ultrapassada, e que a relevância dos seus princípios pode, de facto, fazer diferença à forma como vivemos. O autor, professor de Filosofia em Harvard, insiste, no entanto, que esta possibilidade virtual será sempre incapaz de «suplantar a prática socrática de conversar frente a frente com outra pessoa». 

Abri ao calhas, na página 89. Juro. A pergunta: «Há alguma coisa de facto errada em ser hipócrita?» Fica uma parcela da resposta, dada por Peter Lipton: «Ser hipócrita pode traduzir-se por defender um padrão de comportamento que o próprio não acata. Posso defender que todos os pais devem enviar os filhos para uma escola pública, sendo a minha conduta pessoal enviar os meus filhos para escolas privadas. Neste caso, o meu comportamento não mina a força que o meu argumento possa ter (…). Mas se defender uma posição em que não acredito, então temos um outro tipo de erro moral: a desonestidade». 

Deixo-lhe, ainda, só para aguçar a curiosidade, mais uma mão-cheia de perguntas: «O tolerante deve tolerar a intolerância?», «É moralmente errado lucrar com os erros ou a estupidez de outras pessoas?», «Justifica-se a reanimação cardíaca a alguém com um tumor cerebral inoperável?». 

Tenho que terminar aqui para ir ler as respostas.

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