Brian Green sobre O mito de Sísifo de Albert Camus

Quando virei a última página de O mito de Sísifo, há muitos anos, fiquei surpreendido por o texto ter conseguido concluir com um sentimento global de optimismo. Afinal, a história de um homem condenado a empurrar uma pedra monte acima, plenamente consciente de que ela vai rolar para baixo, obrigando-o a começar a empurrar de novo, não é daquelas que se espera tenham um final feliz. No entanto, Camus viu uma esperança profunda na capacidade de Sísifo de exercer a sua vontade livremente, de insistir contra obstáculos invencíveis e de impor a sua escolha de viver, mesmo condenado a uma tarefa absurda num universo indiferente. Ao abandonar tudo o que está para lá da experiência imediata e ao cessar a procura de qualquer tipo de entendimento ou sentido mais aprofundado, Sísifo, argumentou Camus, triunfa.
Brian Green, O tecido do cosmos, tr. Pedro Miguel Ferreira, Gradiva, pp. 46, 47.
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3 Comments

  1. Eu não “sou de filosofia”, mas sempre fiz essa leitura da parte final do livro, contrariamente a alguns professores de filosofia com quem tenho falado. É bom saber que a minha interpretação tem sentido.

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