Cepticismo – A. C. Grayling

O estudo e o emprego dos argumentos cépticos, em certo sentido, definem a epistemologia. Um objectivo central da epistemologia é determinar como podemos estar certos de que nossos meios para conhecer (aqui “conhecer” implica obrigatoriamente “crença justificada”) são satisfatórios. Um modo preciso de mostrar o que é requerido é observar cuidadosamente os desafios cépticos aos nossos esforços epistémicos, desafios que sugerem que as maneiras pelas quais seguimos estão distorcidas. Se somos capazes de não apenas identificar mas, sim, enfrentar os desafios cépticos, um objectivo primário da epistemologia terá sido concretizado.

O cepticismo é frequentemente descrito como a tese de que nada é – ou, mais fortemente, pode ser – conhecido. Mas essa é uma má caracterização, porque se não conhecemos nada, então não podemos saber que não sabemos nada, e assim tal afirmação é trivialmente auto-refutante. É mais eficaz caracterizarmos o cepticismo do modo à frente sugerido. Ele é um desafio directo contra reivindicações de conhecimento, e a forma e a natureza do desafio variam segundo o campo da actividade epistémica em questão. Em geral, o cepticismo toma a forma de uma solicitação pela justificação das afirmações de conhecimento, em conjunto com um enunciado sobre as razões que motivam tal solicitação. Normalmente, as razões são de que certas considerações sugerem que a justificação proposta poderia ser insuficiente. Conceber o cepticismo de tal modo é vê-lo como mais problematizante e mais importante filosoficamente, do que se fosse descrito como uma tese positiva que afirma nossa ignorância ou incapacidade de conhecimento.

[Adaptado de uma tradução de Paulo Ghiraldelli Jr.]

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