Considerações finais

Considerações finais

Tentamos, ao longo deste trabalho, responder a algumas questões essenciais acerca da didática da Filosofia. A questão da ensinabilidade da filosofia levou-nos a procurar alternativas de resposta, todas elas positivas: a filosofia é ensinável, ainda que que o seu ensino constitua apenas uma institucionalização escolar, resposta naturalmente insatisfatória; mas também concluímos que a filosofia é ensinável em outras duas situações: enquanto enunciação histórica ou temática ou, preferencialmente, quando se trate verdadeiramente de ensinar a filosofar. Vimos, quanto a esta questão, que a dicotomização não ajuda a encontrar respostas por nos enclausurar em posições inconsequentes.

Concluímos que situar a filosofia e o seu ensino em torno de metafilosofias permite que o professor se consciencialize sobre o seu próprio papel na sala de aula face a programas e manuais que se encontram, eles próprios, orientados em função de alguma conceção metafilosófica. A sua inscrição numa metafilosofia permitirá escolher ou determinar as competências filosóficas a desenvolver nos alunos. A esse respeito, vimos como a Lógica é essencial, desde que tal não signifique a queda em qualquer tipo de logicismo estéril, da mesma forma que uma didática orientada para a história da filosofia nos pode conduzir a um divagar constante acerca do pensamento de outrem, sem nunca exercermos o nosso próprio pensamento, quando o que pretendemos é levar os alunos a pensarem por si mesmos. Também aqui serão de evitar dicotomias: a FcCJ representa uma oportunidade de mudança, concedendo novas oportunidades de desenvolvimento didático para o ensino de Filosofia no ensino secundário, pelo destaque dado à criatividade, ao pensamento crítico solidamente ancorado em noções elementares de Lógica, e pela prática de comunidades de investigação envolvidas em trabalhos de índole colaborativa.

A emergência da Sociedade do Conhecimento, da Sociedade em Rede, obriga a repensar os modelos educativos, as funções da Escola e o papel que a Filosofia nela desempenha, nomeadamente no ensino secundário. Afinal, concluímos que apesar de reconhecermos a existência de novos desafios, o papel da filosofia nesta Sociedade em Rede não difere muito dos ideais humanistas da Antiguidade Clássica Grega.

Para tal serão úteis as novas ferramentas tecnológicas, que devem ser criteriosamente introduzidas na sala de aula. Constituem excelentes ferramentas de trabalho para a concretização do ensino de filosofia, do ensino do filosofar e do desenvolvimento das competências filosóficas, independentemente das conceções metafilosóficas de cada professor.

Contudo, existem muitas outras áreas que mereceriam exploração. É importante repensar a formação contínua de professores, no sentido de lhes conferir competências digitais que eventualmente não possuam; da mesma forma, é necessário especificar que as competências dos alunos devem incluir deliberadamente as literacias digitais, como forma de melhor descodificação dos discursos dos media e de análise crítica dos acontecimentos quotidianos. Entre essas competências deve-se incluir os cuidados a ter com o plágio e a fraude académica, hoje largamente facilitados pelo acesso a fontes de informação.

Ao nível das aplicações para telemóvel exige-se um estudo exaustivo das aplicações já existentes e, sobretudo, a criação de novas aplicações especificamente direcionadas para o público português.

É imperioso que as ferramentas digitais entrem na sala de aula, mas não devemos esquecer que elas serão apenas para fazer aquilo que verdadeiramente interessa: fazer filosofia.

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