Darwin na ciência, na sociedade e na cultura

Congresso Internacional na Faculdade de Filosofia de Braga
Realiza-se de 10 a 12 do próximo mês de Setembro na Faculdade de Filosofia de Braga um congresso internacional que pretende avaliar o impacto de Darwin na cultura contemporânea em geral, e em particular na ciência e na vida social.

É um facto que o mundo mudou radicalmente com a teoria da evolução das espécies, hoje suficientemente fundamentada, como reconheceu explicitamente o Papa João Paulo II. O congresso pretende fazer uma avaliação destas mudanças, quer em diversas áreas científicas, quer nos vários ramos da filosofia, quer na teologia.

As implicações éticas e religiosas do evolucionismo biológico são talvez as que mais perturbação e polémica têm causado. A concepção do ser humano baseada no dualismo alma-corpo parece ter sido seriamente posta em causa. Por outro lado, conceitos como mente e consciência, consideradas potências imateriais da alma espiritual passaram a ser vistas como meros fenómenos explicáveis pelas neurociências. Os estudos do cérebro como órgão produzido pelo dinamismo evolutivo deram origem a uma imagem determinista do ser humano, cuja liberdade parece cada vez mais um conceito do passado. Termos como neuroética, neuroteologia, neuroestética e neuroeconomia correspondem a uma visão naturalizada da vida pessoal e social em todos os seus domínios.

A narração bíblica da criação de Adão e Eva, o casal original do qual descendem todos os seres humanos foi posta em causa, levando a exegese bíblica a uma reinterpretação dos três primeiros livros do Génesis, afastando-se da interpretação literal que tinha sido aceite até meados do século XX. Hoje, a narração bíblica da criação dos seres humanos é considerada pelas igrejas cristãs como compatível com o evolucionismo biológico. Esta interpretação não é aceite pelos criacionistas, para os quais o evolucionismo biológico conduz necessariamente ao ateísmo. Curiosamente, esta é também a posição de muitos evolucionistas. Recentemente, os adeptos da corrente designada como ‘desígnio inteligente’, embora aceitem a evolução biológica, pretendem fundamentar na própria biologia a existência de um Deus criador.

Todas estas questões têm sido objecto de intensas polémicas cuja análise e discussão estará no centro do congresso. Para isso, foram convidados os seguintes conferencistas nacionais e estrangeiros que são considerados especialistas em diversas áreas da ciência, da filosofia e da teologia.

Na véspera do dia de início do congresso, a 9 de Setembro, das 16h às 19h, terá lugar na Faculdade de Filosofia um workshop relacionado com a mesma temática do congresso, intitulado: “The scientific explanation of the emergence of Reason”, seguido por uma recepção aos congressistas.

Todas as informações sobre o congresso e o workshop poderão ser obtidas na página www.congressos.facfil.eu

Fonte: http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=73157&seccaoid=3&tipoid=38

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