Darwin no centro das atenções

Em criança, coleccionava espécies que a História Natural analisava à lupa.
Cresceu e o gosto manteve-se. Estudou invertebrados marinhos, viajou no
navio Beagle, fez experiências, concentrou-se na evolução dos seres vivos
até que publicou “A origem das espécies”, o livro que desconcertou o mundo
científico. O naturalista Charles Darwin nasceu há 200 anos em Inglaterra
e publicou a sua obra maior há 150. A Ciência Viva e a comunidade
científica estão juntas para lembrar os passos de um investigador que
marcou a ciência moderna.

Hoje, dia 23, as comemorações arrancam no auditório do Pavilhão do
Conhecimento, em Lisboa, com a presença de Michael Ruse, da Universidade
da Florida, reconhecido pelo seu trabalho na filosofia da biologia.
“Estará o Darwinismo ‘fora de prazo’? Reflexões sobre ‘A Origem das
Espécies’ passados 150 anos” é o nome do painel conduzido pelo
investigador, que começa às 11h00. Uma hora depois, o público pode
intervir. A sessão abre às 10h30 com intervenções de Alexandre Quintanilha
do Instituto de Biologia Molecular e Celular, João Caraça da Fundação
Calouste Gulbenkian, e Ana Noronha da Ciência Viva. A cerimónia deverá
contar com a participação do ministro da Ciência, Mariano Gago.

Durante este ano, há várias iniciativas agendadas para divulgar o trabalho
do naturalista inglês e a sua importância para a Biologia e para o
pensamento científico contemporâneo. As escolas têm também um papel
importante nestas comemorações e, nesse sentido, há desafios experimentais
para todos os níveis de ensino. Em “O xadrez dos continentes”, os alunos
analisam a posição dos continentes há 200 milhões de anos e debruçam-se
sobre a distribuição da fauna e flora. O aparecimento e desaparecimento
das espécies pode ser entendido no espaço “Vamos fabricar fósseis”, em que
é necessário gesso, água, tintas e pincéis.

As escolas podem também agrupar os seres vivos mais aparentados para
colocá-los numa escala temporal, ou verificar como organismos expostos a
condições semelhantes podem evoluir de formas diferentes. Além disso, os
alunos são convidados a desenvolver várias sessões laboratoriais, e não em
apenas um momento, com seres vivos com ciclos de vida curtos. O objectivo
é contrariar a ideia de que a ciência se faz numa única sessão de
laboratório.

Concursos e exposições
A comunidade educativa pode ainda participar em concursos alusivos ao
tema. “Na senda de Darwin”, concurso dinamizado pelo jornal online Ciência
Hoje, os alunos têm de apresentar seis trabalhos sobre Darwin em
diferentes formatos. A equipa vencedora ganha três viagens às Ilhas
Galápagos, no Oceano Pacífico, precisamente onde Darwin fez observações
importantes para a sua teoria da evolução das espécies. O Concurso
Internacional de Ilustração de Dinossauros está aberto a todas as pessoas
com mais de 15 anos. O objectivo é ilustrar dinossauros e outros animais
extintos, utilizando todas as técnicas de ilustração. Os trabalhos têm de
ser enviados para o Museu da Lourinhã até 31 de Maio. No final de Julho,
são anunciados os vencedores. O primeiro classificado recebe mil euros, o
segundo 500 e o terceiro 250.

O programa inclui exposições. “Charles Darwin (1809-2009) – Evolução e
Biodiversidade” abre a 9 de Fevereiro no terceiro piso da reitoria da
Universidade do Porto. O primeiro módulo da mostra centra-se na viagem que
Darwin fez no navio Beagle e do impacto da sua obra; os restantes painéis
mostram as espécies em risco e peças do espólio do Museu de História
Natural. A 12 de Fevereiro, é inaugurada a exposição “A evolução de
Darwin” na Fundação Calouste Gulbenkian para dar a conhecer a teoria da
evolução criada pelo naturalista e implicações na ciência moderna.
Segue-se um ciclo de conferências com a intervenção de especialistas
mundiais na área da evolução. A mostra encerra a 24 de Maio, dia em que
Rosemary e Peter Grant, investigadores da Universidade de Princeton dos
Estados Unidos da América, contam a história dos tentilhões estudados por
Darwin há 180 anos.

A 19 de Fevereiro, abre a exposição “Darwin 150, 200” no Museu de Ciência
da Universidade de Coimbra, com animais e plantas da colecção de História
da Universidade de Coimbra e modelos fósseis. Em simultâneo, a Biblioteca
Geral da mesma universidade apresenta uma mostra bibliográfica intitulada
“A evolução da bíblia” sobre a forma como as ideias de Darwin foram
recebidas em Portugal.

Informações:
www.darwin2009.pt

in
http://www.educare.pt/educare/Actualidade.Noticia.aspx?contentid=5ADF5DA3672CF155E0400A0AB8002BC5&opsel=1&channelid=0

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