David S. Oderberg – Uma crítica ao argumento (de Peter Singer) em defesa da eutanásia voluntária #1

É este o principal argumento a favor da eutanásia voluntária: Todos os direitos são alienáveis; existe o direito à vida; portanto, o direito à vida é alienável. Se uma pessoa sã de mente, capaz de pensar racionalmente, de avaliar com todo o cuidado a situação em que se encontra, tendo à sua disposição toda a informação relevante, toma deliberadamente a decisão de morrer, decisão essa que não foi tomada em resultado de coacção, ou de qualquer influencia indevida, e que é expressa por essa pessoa de forma clara e persistente, devemos considerar que essa pessoa alienou o seu direito à vida. (…)
Reflectindo um pouco sobre o assunto, contudo, compreendemos que a ideia de que todos os direitos são alienáveis não pode ser verdadeira. A principal analogia a que recorrem os defensores da eutanásia é a analogia com os direitos de propriedade. Se o direito à propriedade é alienável, por que motivo não o é igualmente o direito à vida? Uma premissa que normalmente se encontra neste argumento é a de que o direito à vida mais não é do que uma espécie de direito de propriedade, dado que nós somos proprietários do nosso corpo. (…) Para os defensores da analogia vida/propriedade, o problema consiste no facto de existirem, apesar de tudo, dissemelhanças relevantes entre o direito à vida e o direito à propriedade, e no facto de as semelhanças que existem entre os dois serem em apoio da inalienabilidade do direito à vida.
David S. Oderberg, Ética Aplicada – uma abordagem não consequencialista,
tr. Maria José Figueiredo, Principia, pp. 76, 77.
Facebook Comments
Marcados com: , ,
Publicado em Bioética, Ética
Um comentário sobre “David S. Oderberg – Uma crítica ao argumento (de Peter Singer) em defesa da eutanásia voluntária #1
  1. A propósito,

    “Está disponível o livro Atentar contra si. Discurso sobre a morte voluntária de Jean Améry. Trata-se livro inaugural da nova colecção de Filosofia da Assírio e Alvim, intitulada DIOTIMA.
    Trata-se de um ensaio sobre a morte voluntária feito por um notável ensaísta que acabou por se suicidar
    A tradução, notas e posfácio são da autoria de Pedro Panarra.”

    in Lekton, https://mail.uevora.pt/cgi-bin/mailman/listinfo/lekton

    Ver também http://www.assirio.com/autor.php?i=J&id=8023

Creative Commons
Arquivo