Difret e os Direitos das Mulheres

Difret é um filme baseado em factos verídicos, escrito e realizado em 2014 por Zeresenay Mehari, que dá a conhecer a situação das jovens raparigas na Etiópia, país onde os raptos e violações são preliminares de casamentos forçados. Culturalmente, reza a tradição que o noivo pode raptar uma rapariga e abusar dela antes de a desposar, mesmo contra a vontade desta e da sua família. Nem mesmo as leis oficialmente aprovadas conseguem evitar esta prática vulgarizada nos meios mais rurais, muito embora a situação relatada da jovem neste filme tenha contribuído para um agravar das penas nos casos aqui apontados. De louvar a actuação de Meaza Ashnafi, advogada etíope para os direitos das mulheres, que tudo fez para libertar Hirut, menina de 14 anos acusada de matar o seu raptor e violador, centro da história narrada neste filme. Sem a sua actuação, Hirut seria condenada à morte como forma de compensar o assassinato do homem que a violentou.

Este filme foi alvo de vários prémios internacionais e é mais uma chamada de atenção para as questões do relativismo cultural, do respeito pelos direitos humanos e da igualdade de género, facilmente debatidas e reconhecidas nos países ocidentais, mas ainda vistas como estranhas na maior parte do mundo.

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Professora/Formadora. Licenciatura em Filosofia. Mestre em Comunicação Educacional Multimédia. Especialização em Igualdade de Género. Formação em Filosofia com Crianças pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e pela Associação Portuguesa de Ética e Filosofia Prática. Membro de SOPHIA – European Foundation for the Advancement of Doing Philosophy with Children. Formadora / Tutora em e-learning.

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Publicado em Cinema e Filosofia

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