Eluana, em coma há 17 anos, morreu ontem

09.02.2009 – 19h50 Agências, PÚBLICO
Eluana Englaro, a mulher italiana de 38 anos há dois anos em estado
vegetativo persistente, morreu segunda-feira, às 19h10 (hora de Lisboa),
anunciou o ministro da Saúde Maurizio Sacconi aos senadores italianos. Não
era alimentada há quatro dias, seguindo a ordem judicial para desligar os
meios que a mantinham presa à vida.

Os pais de Eluana não estavam presentes na clínica. O pai Reppino Englano,
que foi imediatamente avisado por telefone pelos médicos da clínica,
encontrava-se noutra cidade, para amanhã participar num protesto.” Sim,
deixou-nos. Mas não quero dizer nada, quero estar só”, disse o pai de
Eluana ao ser contactado pelos jornalistas. Segundo a edição on-line
jornal “La Repubblica”, estava muito emocionado.
A confirmação da morte de Eluana foi anunciada às 20h27 pela presidente da
clínica, Inês Domenicali.

“Que o Senhor perdoe a quem a fez chegar a este ponto”, comentou o
ministro da Saúde do Vaticano, o cardeal Javier Lozano Barragan.

Centenas de pessoas vão reunir-se esta noite frente da Clínica onde, há
vários dias, se encontravam cerca de 200 militantes do movimento “Pela
vida”, numa vigília de oração.

A notícia da morte de Eluana suscitou reacções imediatas dos políticos
italianos. O primeiro-ministro Sílvio Berlusconi exprimiu “a sua dor
profunda” e um “grande arrependimento”, por não ter sido possível salvar a
vida de Eluana.

“Este é um caso de eutanásia que não está previsto na lei. É visto como um
sucesso na clínica La Quiete mas deveria chamar-se morte”, disse o
presidente do senado Maurizio Gasparri.

A polémica começou em Novembro, quando, depois de um processo que se
arrastava há dezanos, o tribunal decidiu autorizar a suspensão de
alimentação da doente, para que pudesse morrer. Ao tomar conhecimento da
decisão judicial, Sílvio Berlusconi apressou a aprovação de um decreto de
lei, na sexta-feira passada, que proibisse a suspensão da alimentação de
pessoas em coma.

A aprovação do decreto chegou três dias depois de, em respeito pela
decisão judicial favorável à morte por eutanásia, ter sido suspensa a
alimentação de Eluana Englaro.

Embora a lei tenha sido alterada, a morte de Eluana Englaro deu-se em
conformidade com os prazos da decisão judicial.

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1364556

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