Encontro de dois dias para divulgar Eduardo Lourenço

Congresso Internacional hoje e amanhã na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa

Eduardo Lourenço é um nome de que todos já ouviram falar mas o mais provável é que o grande público pouco saiba sobre a sua obra. O Congresso Internacional que hoje e amanhã decorre em Lisboa, pretende, sobretudo, divulgá-lo mais.

Dar a conhecer a obra de Eduardo Lourenço e permitir reunir um conjunto de estudiosos que estão a trabalhar, ou já trabalharam sobre ela, e que muitas vezes não tiveram oportunidade de cruzar as suas investigações e reflexão, e torná-las públicas, é um dos objectivos do Congresso Internacional dedicado a Eduardo Lourenço.

O encontro, uma iniciativa do Centro Nacional de Cultura (CNC) que conta com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), irá reunir, hoje e amanhã, um conjunto de investigadores da vasta obra do ensaísta que se estende da filosofia à ciência política.

“Queremos demonstrar que ele é um exemplo de modernidade bem viva no século XXI português”, adianta Guilherme d’Oliveira Martins, o presidente do CNC e, simultaneamente, presidente do congresso.

Ao longo destes dois dias foram convidadas personalidades de áreas tão diversificadas como a filosofia, a hermêutica ensaística, a história, as artes plásticas e perfomativas, a sociologia, a ciência política, as ciências da comunicação e a literatura – com destaque para as presenças de José Saramago e de António Lobo Antunes que, em dias diferentes, falarão da obra do ensaísta e amigo.

Da programação e dos intervenientes nos diversos painéis – só hoje realizar-se-ão quatro – Guilherme d’Oliveira Martins destaca “os testemunhos de figuras marcantes da vida intelectual portuguesa”. Para o presidente deste congresso “é difícil estar a distinguir um ou outro ponto, porque o programa é bastante extenso”. No entanto abre uma excepção para falar do contributo da professora Maria Helena da Rocha Pereira. “Ela pertence à mesma geração do homenageado”.

Guilherme d’Oliveira Martins sublinha ainda que o congresso reúne um naipe muito alargado de intervenientes.

“Temos a presença dos nossos maiores escritores, romancistas e ensaístas. Todos reunidos em torno de Eduardo Lourenço”.

No entanto, lamenta “duas ausências de vulto. Duas personalidades desaparecidas há relativamente pouco tempo – Fernando Gil e Eduardo Prado Coelho. Se estivessem vivos certamente seriam dois dos mais activos intervenientes neste congresso. Aliás, farei questão de salientar os seus testemunhos e falar das obras que nos deixaram a propósito de Eduardo Lourenço”.

O presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, o ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro e o presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Emílio Rui Vilar, intervêm na sessão de abertura que vai envolver cerca de meia centena de oradores. A escritora Lídia Jorge será um deles quando, amanhã, participar no painel sobre Literatura e Crítica Literária.

Num artigo publicado na revista “Visão”, escreveu a propósito de Eduardo Lourenço: “Devemos-lhe acima de tudo ser quem é, e depois devemos-lhe o facto de se ter mantido longe do país, e a partir dessa distância tê-lo interpretado na crueza da sua fixidez, sem nunca o ter feito com a soberba que caracteriza os estrangeirados”

Fonte: JN

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