Eutanásia: quem deve decidir?

No mundo da medicina, as pessoas algumas vezes precisam tomar decisões difíceis, como decidir entre desligar ou não o suporte de vida para um paciente em estado terminal.

Um novo estudo, publicado no Journal of Consumer Research, analisou a questão crucial envolvendo esse tipo de decisão: é preferível que os familiares ou os médicos tomem essas “decisões trágicas”?

Modelo paternalístico versus modelo autônomo

As autoras (Simona Botti, Kristina Orfali Sheena S. Iyengar) afirmam que, desde o tempo de Hipócrates até os anos 1980, o “modelo paternalístico” dominou o campo da bioética. De acordo com esse modelo, os médicos tomam as decisões no melhor interesse dos seus pacientes.

Um novo modelo – chamado “modelo autônomo – assume que os pacientes devem ser bem informados dos prós e dos contras dos vários tratamentos médicos e tomar as decisões por eles mesmos ou juntamente com suas famílias.

Quando se trata das tais escolhas trágicas, qual desses modelos funciona melhor?

Lidando com finais trágicos

Para buscar uma resposta, as pesquisadoras analisaram em profundidade entrevistas com pais norte-americanos e franceses que tiveram seus bebês internados em UTIs neonatais.

“As experiências desses pais foram similares porque todos eles se confrontaram com a escolha de continuar ou interromper o suporte de vida de seus bebês, a decisão para interromper a terapia foi feita e os bebês morreram,” afirmam as pesquisadoras.

“Contudo, o modelo de decisão na neonatologia varia entre os dois países: nos Estados Unidos é utilizado o modelo autônomo, de forma que a decisão para interromper a terapia de suporte de vida foi feita pelos próprios pais; ao contrário, na França, o modelo paternalístico continua a dominar, de forma que a mesma decisão foi feita pelos médicos em nome dos pais.”

“Nesta pesquisa e em estudos de laboratório subsequentes, as pesquisadoras descobriram que as pessoas que fizeram as escolhas ficaram mais confiantes de que as melhores decisões foram tomadas.

Lidando com as emoções negativas

Contudo, apesar dessa maior confiança, elas expressaram mais emoções negativas do que aquelas pessoas que não fizeram as escolhas diretamente.

“Além disso, tanto os que escolheram quanto os que não tomaram a decisão foram ambivalentes com relação à autonomia na tomada de decisão,” escrevem as autoras no estudo. “De um lado, eles não gostariam de ter de decidir por si mesmos mas, por outro lado, eles também não gostariam que os médicos tomassem as decisões por eles.”

Em uma pesquisa final, as pesquisadoras descobriram que, quando os médicos enquadraram a situação como sendo algo do tipo “a única coisa que resta a fazer”, as pessoas que tomaram as decisões trágicas foram capazes de se distanciar da escolha e experimentaram emoções menos negativas.

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