Linguagem e cognição: relações interdependentes

Este artigo denota a ampla relação existente entre a linguagem e a cognição, bem como, o desenvolvimento desses itens de forma a caracterizar suas abrangências. Desde o momento em que nascemos apresentamos características diferenciadas de outras espécies. Esta vantagem é descrita como capacidade cognitiva de pensar e transmitir idéias e sentimentos por intermédio da linguagem.

A cognição é um processo pelo qual o ser humano interage com os seus semelhantes e com o meio em que vivem, sem perder a sua identidade existencial. Ela começa com a captação dos sentidos e logo em seguida ocorre à percepção. É, portanto, um processo de conhecimento, que tem como material a informação do meio em que vivemos e o que já está registrado na memória.

A psicologia cognitiva afirma que é um processo de grande influência no comportamento, além de ser esse fenômeno que favorece a aprendizagem e o desenvolvimento da linguagem. Toda a informação vinda do meio, através da captação dos sentidos, é adequada e convertida, tendo o seu efeito adaptado, para que possa fazer parte dos parâmetros perceptuais de ambiente. O ser humano sem a cognição não resistiria, por exemplo, às grandes perdas.

A dor da perda é uma reação cognitiva intensa para preservar e controlar os impulsos, a fim de que haja uma recuperação mais rápida. A relação existencial é vinculada com a realidade interna, permite desta forma, tomar decisões com base em dados convertidos pela nossa própria interpretação interna ou modelos da mente.

Cognição é o fenômeno que ocorre no processamento simbólico e tem relação ampla com a linguagem. A dinâmica mental é o processo chamado de cognição, cujo resultado é a produção de informação. A cognição é uma função superior que é observada em qualquer sistema que processa informações.

O ser humano captura e processa as informações que lhes são transmitidas em uma palestra e deste modo adquire uma visão ligeiramente modificada do mundo, isto é descrito como cognição. A cognição é descrita na literatura como complexa e de ligação direta com a linguagem. Todos os símbolos são construídos (socialmente) através de sistemas neurais.

O processo de desenvolvimento cognitivo não pode ser considerado de forma restrita. Ele se dá durante toda a vida e é resultante de experiências acumuladas e organizadas através da ação do individuo sobre o meio e vice-versa.

As relações entre o discurso e a cognição tornaram-se, a partir das últimas décadas, objetivo de estudo de varias disciplinas da lingüística. Os mais variados relatos teóricos levam a epistemologia, a psicologia e a coerência cognitiva na tentativa de descrever a linguagem, investigando assim, os processos lingüísticos cognitivos da atividade discursiva do ser humano.

A psicolingüística tem apreciado de forma teórica e metodologicamente o debate que envolve as relações entre a verbalização e a cognição em meio a um incessante confronto crítico e de interpretações. Sabe-se que o fenômeno mental (cognitivo) tem sido primeiramente vinculado ao biológico, e interligado a linguagem.

A tendência é considerar que os termos cognição e inteligência se voltem para o mesmo significado e identificá-los como funcionamento mental. Cognição é a capacidade de processar informações. É a capacidade de adaptação a situações absolutamente diferentes em curto espaço de tempo. No entanto, a adaptação humana, em seus aspectos cognitivos, difere da adaptação biológica.

Dizer que determinada espécie está adaptada a uma determinada comunidade significa que sobrevive bem nesse ambiente. Afastada dele, entretanto, enfrentará sérias dificuldades de sobrevivência. É importante ressaltar que os homens não só desenvolveram ao longo da evolução, a capacidade de adaptar-se a determinadas condições. Toda essa etapa foi garantida enfrentando limites e buscando esforços.

A cognição engloba linguagem, memória e, sobretudo, raciocínio lógico. Do ponto de vista psicológico, o conceito de cognição abrange toda a capacidade de processar informações, de reagir ao que se percebe no mundo e do próprio interior de cada pessoa.

Estruturalmente, a percepção depende de práticas humanas estabelecidas por sistemas de codificação usados como processamento da informação, mas, também influenciar a decisão de situar os objetos percebidos em categorias apropriadas.

A atenção é considerada um tipo de percepção sistemática e refere-se usualmente a seleção de recursos informacionais que focalizam a percepção de determinados objetos em detrimento de outros. Nessa perspectiva o processo de atenção se dá em duas fases: inicialmente ocorre a focalização nos estímulos e caracterizam os elementos de informação do meio ambiente, surgindo posteriormente à descrição de elementos na forma de um padrão de reconhecimento do objeto.

Quanto mais uma tarefa é praticada pelo individuo menos atenção é requerida para ser executada.

A memória é estudada a partir de dois modos complementares: considerando-se a forma como a informação entra e é codificada, e o modo como a informação é retida e recuperada no sistema cognitivo. No primeiro caso a informação proveniente do meio tende a permanecer transitoriamente na memória de curta duração, delimitada capacidade de retenção, a qual deve ser trabalhada através do mecanismo de associação e repetição envolvidos no processo de aprendizagem, para posteriormente ser depositada na memória de longa duração.

As operações básicas que a memória apresenta são codificação, armazenamento e recuperação. A codificação é a transformação dos dados de entrada sensoriais em uma forma de representação mental, que pode ser estocada. O armazenamento é a conservação da informação codificada. A recuperação refere-se ao acesso e ao uso da informação armazenada. Todos esses processos interagem entre si e são interdependentes durante toda a vida.

(*) Jadson Justi é Graduado em Ciências da Saúde Comunicacional e Auditiva, especialista em Bioética e mestre em Psicologia da Saúde.
e-mail: jadsonjusti@hotmail.com

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