Nova geração de cientistas usa os próprios filhos em pesquisas nos EUA

Estímulos são o baixo orçamento e a possibilidade de aprofundar o estudo.
Especialistas em ética criticam a prática.

Uma nova geração de cientistas, médicos e psicólogos usa os próprios
filhos para fazer pesquisas, nos Estados Unidos. Muitas vezes a prática é
criticada por especialistas em bioética, preocupados com a
responsabilidade moral de estudos e suas aplicações.

Veja o vídeo ao lado.

Em tempos de crise e com recursos escassos para pesquisas, ter a opção de
usar os filhos, como material de análise, pode ser muito vantajoso. Além
disso, eles são considerados fontes confiáveis e permitem mais
profundidade no trabalho.

A Dr. Deborah Linebarger é psicóloga e diretora do departamento que estuda
o papel dos meios de comunicação no aprendizado de crianças, na
Universidade de Columbia. Muitas vezes ela usa os quatro filhos nos
projetos. “Não estou fazendo nenhuma maldade, não coloco eletrodos neles”,
justifica.

Especialistas em bioética dizem que alguns desses projetos são aceitáveis
e até válidos. Mas dependendo do caso, levantam questões como o impacto
nas crianças, os efeitos no relacionamento delas com os pais e
principalmente, a objetividade dos dados coletados.

“No geral não é uma boa idéia os pais fazerem pesquisas com os próprios
filhos. As exceções seriam pesquisas envolvendo baixíssimo risco. Eu seria
mais favorável para o caso de crianças maiores, que aceitam colaborar”,
avalia Eric Kodish, especialista em bioética.

As novas tecnologias disponíveis são aliadas importantes nos trabalhos
científicos. Déb Roy, professor do Instituto de Tecnologia de
Massachusetts (MIT), instalou câmeras e microfones em sua casa para
acompanhar os três primeiros anos da vida do filho e agora usa as cenas
para estudar como as crianças aprendem a falar. O projeto levantou
questões sobre como proteger a privacidade do menino.

Nos Estados Unidos, toda pesquisa que envolve pessoas precisa ter a
aprovação de um comitê de revisão, que avalia os riscos para os
participantes. Muitos cientistas não consideram necessário dizer ao comitê
que usam os filhos como objeto de análise. Mas por precaução, a maioria
pede que o outro responsável pela criança assine o documento de
autorização.

A Dr. Linebarger conta que já se deparou com questões éticas nas pesquisas
com os filhos. “Durante um trabalho perguntei ao meu mais velho Alec se
ele achava que seus pais o ouviam. Ele disse que não e que se sentia
sozinho algumas vezes. Eu fiquei muito surpresa e insisti para saber o
motivo. Acho que fui muito longe neste dia”, conta.

Agora quando seus filhos participam de um estudo, alguém da equipe dela
faz os testes. Mas apesar de tentar separar os papéis de pesquisadora e
mãe, muitas vezes eles se cruzam. “Minha tendência é ficar preocupada
quando acho que eles não estão se desenvolvendo bem. E meu marido fica me
dizendo que vai dar tudo certo. Nestes momentos, ele me lembra de ser
apenas mãe”, revela a Dr. Linebarger.

Pam Belluck
Do ‘New York Times’
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL978091-5603,00-NOVA+GERACAO+DE+CIENTISTAS+USA+OS+PROPRIOS+FILHOS+EM+PESQUISAS+NOS+EUA.html

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