Obra completa de Miguel Baptista Pereira vai ser publicada pela Fundação Gulbenkian

No próximo dia 5 passam dois anos sobre a morte de Miguel Baptista
Pereira, catedrático de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade
de Coimbra. Ao reconhecimento do seu trabalho como professor, muito
elogiado, junta-se agora a notícia da publicação da sua obra completa pela
Fundação Calouste Gulbenkian, prevendo-se a edição do primeiro volume este
ano.

João Maria André, professor do Instituto de Estudos Filosóficos da
Faculdade de Letras (FLUC), revelou à agência Lusa que o primeiro volume
da obra completa deverá ser lançado ainda este ano, reunindo as teses de
licenciatura e de doutoramento do filósofo.

Em vida, o professor catedrático da FLUC “só publicou três livros” e o
resto da sua obra encontra-se dispersa por várias revistas académicas, de
“divulgação muito restrita”. “Há uma falta de conhecimento da sua obra”,
realçou João Maria André, ao revelar que foi aceite pela Fundação Calouste
Gulbenkian a proposta do Instituto de publicação integral da reflexão
produzida por Miguel Baptista Pereira.

Natural de Vila do Conde, Miguel Baptista Pereira morreu aos 77 anos em
Coimbra, tendo marcado, “ao longo do seu magistério gerações de estudantes
e docentes” – segundo Anselmo Borges, padre e professor de Filosofia. “Não
fora o desprezo soberano que dedicava ao palco mediático, seria
considerado um dos maiores vultos da cultura em Portugal no século XX. Mas
realmente Miguel Baptista Pereira é figura cimeira do pensamento em
Portugal no século XX e isso ver-se-á concretamente quando se publicar a
obra completa”, vaticinou Anselmo Borges na homilia da missa de sétimo dia.

De acordo com Anselmo Borges, “a sua meditação vivia da complementaridade
fecundante entre os problemas filosóficos de sempre e a atenção constante
às condições do mundo presente”.

“Com ele gerações e gerações de jovens aprenderam a pensar”, segundo o
presidente do conselho directivo da FLUC, Carlos Ascenso André.

Obra completa
A obra completa incluirá os títulos publicados em vida, nomeadamente a
dissertação de doutoramento, sobre Pedro da Fonseca, “Modernidade e Tempo”
(editado pela MinervaCoimbra) e “Modernidade e Secularização” (Almedina).

Presidiu ao conselho directivo da FLUC e integrou a comissão instaladora
da Universidade de Aveiro, escreveu várias dezenas de artigos publicados
em revistas como a Biblos (da FLUC), Vértice, Revista de História das
Ideias, Humanitas, Revista da Universidade de Aveiro, Revista Filosófica
de Coimbra e Estudos, entre outras.

“Fenomenologia e Hermenêutica I – pensamento da tradição e discurso
crítico” e “Fenomenologia e Hermenêutica II – Heidegger, Gadamer e P.
Ricoeur” (dois tomos) são outros volumes previstos na obra completa.
Inclui ainda “Fenomenologia e Hermenêutica III – Outros textos”,
“Antropologia, Linguagem e Comunicação”, “Mentalidade científico-técnica e
crise da razão”, “Leituras da Modernidade e da Secularização” (dois tomos)
e “Varia e pequenos escritos”.

João Maria André adiantou à Lusa que a família de Miguel Baptista Pereira
ofereceu a sua biblioteca à FLUC e que esta vai ser instalada junto da
biblioteca do docente Vítor de Matos, já falecido, de quem foi grande
amigo.

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=29906&op=all

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