O Livre-Arbítrio

Do facto de o meu comportamento poder ser explicado, no sentido em que pode ser subsumido sob uma lei da natureza, não se segue que estou a agir sob coação. Se isto for correto, dizer que eu poderia ter agido de outra maneira é dizer, primeiro, que eu teria agido de outra maneira se assim o tivesse escolhido; segundo, que a minha ação foi voluntária no sentido em que as ações, digamos, de um cleptomaníaco não o são; e, em terceiro lugar, que ninguém me obrigou a escolher o que escolhi. E estas três condições podem muito bem ser respeitadas. E quando o são pode-se dizer que agi livremente. Mas isto não significa que agir como agi foi uma questão de acaso ou, por outras palavras, que a minha ação não poderia ser explicada. E que as minhas ações possam ser explicadas é tudo o que é exigido pelo postulado do determinismo. […] Contudo, poderá dizer-se, se o postulado do determinismo for válido, então o futuro pode ser explicado em termos do passado; e isto significa que se soubéssemos o suficiente sobre o passado, seríamos capazes de prever o futuro. Mas nesse caso o que acontecerá no futuro está já decidido. E como posso então dizer que sou livre? O que vai acontecer vai acontecer e nada do que eu faço poderá evitá-lo. Se o determinista tiver razão, sou um prisioneiro indefeso do destino. Mas o que quer dizer que o curso futuro dos acontecimentos já está decidido? Se a sugestão é que uma pessoa o decidiu, então a proposição é falsa. Mas se tudo o que se quer dizer é que é possível, em princípio, deduzi-lo de um conjunto de factos particulares sobre o passado, juntamente com as leis gerais apropriadas, então, se isto é verdade, não implica de modo algum que sou o prisioneiro indefeso do destino. Nem sequer implica que as minhas ações não afetam o futuro: pois elas são causas, tal como efeitos; de modo que, se fossem diferentes, as suas consequências seriam também diferentes. Implica, sim, que o meu comportamento pode ser previsto; mas dizer que o meu comportamento pode ser previsto não é dizer que estou a agir sob coação. É realmente verdade que não posso escapar ao meu destino, se isto significar apenas que farei o que farei. Mas isto é uma tautologia, tal como é uma tautologia dizer que o que vai acontecer vai acontecer. E tautologias como estas nada provam sobre o livre-arbítrio.

A. J. Ayer (1954), Liberdade e Necessidade, trad. de Desidério Murcho.

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Não Há Vontade Absoluta ou Livre

«Na mente não há vontade absoluta ou livre. A mente é determinada a ter uma ou outra volição por uma causa, que é também determinada por outra causa, e esta por outra, e assim por diante ad infinitum. […] A condição humana seria realmente muito mais feliz se o homem tivesse o poder de fazer silêncio como tem o de falar. Mas a experiência ensina-nos com abundantes exemplos que nada está mais afastado do poder do homem do que fazer silêncio ou controlar os seus apetites. Daqui resulta a perspetiva muito comum de que só agimos livremente nos casos em que os nossos desejos são moderados, porque os nossos apetites podem então ser facilmente controlados pela memória de outra coisa que frequentemente nos vem à mente; mas quando procuramos algo com uma emoção forte que não pode ser acalmada pela memória de outra coisa, não podemos controlar os nossos desejos. De facto, não tivessem eles descoberto pela experiência que fazemos muitas coisas de que nos arrependemos mais tarde e que, com frequência, quando estamos à mercê de conflitos de emoções, «vemos o que é melhor e fazemos o que é pior», e nada os impediria de acreditar que todas as nossas ações são livres. Um bebé pensa que procura livremente o leite, uma criança birrenta que procura livremente a vingança e um homem tímido que procura livremente retirar-se. Uma vez mais, o bêbado pensa que emana da livre decisão da mente que ele diga o que mais tarde, quando sóbrio, desejaria não ter dito. Assim, também o homem em estado delirante, a mulher tagarela, a criança, e muitos outros deste género pensam que falam por decisão mental livre, quando na realidade são incapazes de refrear a sua torrente de palavras. Portanto, a experiência diz-nos não menos claramente do que a razão que é só por isto que os homens pensam que são livres: é que têm consciência das suas ações e desconhecem as causas que as determinam. E a experiência diz-nos também que as decisões mentais mais não são elas mesmas do que apetites, variando portanto de acordo com a disposição variável do corpo. Pois as ações de cada homem são influenciadas pela sua emoção; além do mais, quem é vítima de conflitos de emoções, não sabe o que quer, ao passo que quem não tem qualquer emoção, é conduzido para um ou outro curso de ação pelo mais pequeno impulso.»

Bento de Espinosa (1677), Ética, trad. de Desidério Murcho

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Human Flow – uma questão de direitos humanos

O artista e activista chinês, realizador de Human Flow, Ai Weiwei, não é um estranho à problemática dos direitos humanos. A mãe era escritora e o pai poeta, sendo que este último foi considerado “inimigo do povo”, etiqueta que valeu a toda a família a deportação para um campo de trabalhos forçados na China. Ai Weiwei tinha apenas um ano e viveria dezasseis anos da sua vida em condições miseráveis.

Aos dezanove anos, regressou com a sua família para Beijing e juntou-se a um grupo de pensadores contra o controlo que o Governo chinês exercia sobre a população, o que lhe valeu, desde então, a alcunha de “o homem mais perigoso” da China. Fugiu para Nova Iorque, onde estudou arte e cinema, mas acabaria por voltar devido ao estado de saúde debilitado do pai e à revolta sentida pelos constantes atropelos aos direitos humanos no seu país.

Human Flow é um documentário realista, filmado em vinte e três países, sobre o movimento actual de refugiados onde Weiwei reúne um conjunto de depoimentos de pessoas que fogem do horror, da violência, guerra e fome, e que encontram na sua jornada em direcção à Europa um cenário tão mau e absurdo como aquele que abandonaram.

Documentário premiado na Competição Oficial do Festival de Cinema de Veneza de 2017, Human Flow apela ao que temos de humano numa tentativa de nos sensibilizar para a ideia de que temos de saber viver uns com os outros, independentemente das diferenças que nos separam, já que todos partilhamos o mesmo desejo universal: ser felizes num mundo em paz.

 

 

 

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Para que precisamos da Filosofia? A Perspectiva de Philip Kitcher

A Filosofia é importante para nós? A resposta de Philip Kitcher é esclarecedora:

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O Papel da Filosofia, por Slavoj Zizek

Qual é o papel da Filosofia?

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Can Children do Philosophy?

Estão as crianças aptas a filosofar?

A resposta não é consensual. Muitos facilitadores de Filosofia com Crianças consideram que antes dos 7,8 anos, o trabalho filosófico não produz os frutos desejados (ou porque as crianças são ainda muito imaturas, ou irrequietas para se concentrarem, etc…); outros, pelo contrário, acham que se pode começar ainda antes, a nível do ensino pré-escolar.

Apesar de vários estudos que apontam para a mais-valia do pensamento crítico em crianças, nomeadamente no desenvolvimento de competências lógicas e na fundamentação de crenças, em Portugal ainda não estamos no patamar de discussão e de implementação da Filosofia com Crianças para lá das AEC, salvo honrosas excepções.

Deixamo-vos este debate em torno das vantagens da Filosofia com Crianças, com Pete Worley:

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Publicado em Filosofia com Crianças

CONCURSO DE DOCENTES Grupo de Recrutamento 410 – Filosofia 2018/2019

CONCURSO DE DOCENTES

Grupo de Recrutamento 410 – Filosofia

ANO ESCOLAR DE 2018/2019

Todas as listas aqui: https://drive.google.com/drive/folders/1_wysXpycWEYB0yW-iJoQ0PU8v9xoBXfV?usp=sharing

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Prova 714 – Filosofia, 2018, 2.ª fase

Prova e critérios de correção:

Versão 1

Filosofia Versão 1 – 2.ª fase 2018 by Sérgio Lagoa on Scribd

Versão 2

EX-Fil714-F2-2018-V2_net by Sérgio Lagoa on Scribd

Critérios de correção

Filosofia Critérios Correção 2.ª fase 2018 by Sérgio Lagoa on Scribd

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Uma análise filosófica sobre o problema da privacidade informacional e suas implicações legais

Com o avanço exponencial das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC), a dinâmica da vida cotidiana dos indivíduos tem se alterado. Dentre os artefatos que constituem as TIC, destacam-se aqueles vinculados à internet (notebook, smartphone, tablet, smartv, entre outros). A partir da disseminação de dispositivos com conexão online no tecido social, temas já tidos, em princípio, como compreendidos, tais como amizade, confiança, identidade, privacidade, dentre outros, são colocados em xeque. Neste artigo, analisaremos o tópico da privacidade, o qual tem se destacado no cenário de discussão mundial nos últimos anos. Para tanto, levantaremos as seguintes questões: em que medida a inserção de TIC na sociedade afeta a privacidade dos indivíduos?
Como conceber a privacidade e os aspectos legais relacionados a ela em virtude dos impactos das TIC no cotidiano dos indivíduos? Em face dessas questões, nos alicerçaremos principalmente nas teses de Tavani (2007), Moor (1990, 1997) e Tavani e Moor (2001). Estes autores defendem a chamada teoria da privacidade acesso restrito/controle limitado (RALC), a partir da qual propomos discutir a capacidade de incorporar e suprir algumas limitações de quatro abordagens filosóficas e legais da privacidade, quais sejam: i) teoria não invasão (ou não intromissão); ii) teoria isolamento (ou solidão); iii) teoria limitação; e iv) teoria controle. Argumentaremos que, no contexto a ser aqui apresentado, a teoria acesso restrito/controle limitado parece ser a mais adequada para servir de base para o desenvolvimento de uma política da privacidade informacional. Com isso, buscamos contribuir para a reflexão filosófico interdisciplinar acerca do conceito de privacidade e de suas implicações legais no cenário vigente da “Sociedade da Informação”.

Artigo de Leonardo Ferreira Almada e João Antonio de Moraes

 

 

UMA ANÁLISE FILOSÓFICA SOBRE O PROBLEMA DA PRIVACIDADE INFORMACIONAL E SUAS IMPLICAÇÕES LEGAIS by Sérgio Lagoa on Scribd

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Ciência Política – 12.º ano – Aprendizagens Essenciais

Encontram-se em discussão pública as Aprendizagens Essenciais do 12.º ano.

 

12 Ciencia Politica by lagoa1972 on Scribd

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