Para uma Didática da Filosofia

Existe alguma Didática específica da Filosofia?

 

Em 1994, Joaquim Neves Vicente publicava um texto sobre uma proposta, então recente, de Michel Tozzi :

Neste artigo é defendida a existência de uma didática específica da Filosofia. Até 1990, a filosofia era a única disciplina que não possuía uma didática específica, considerando-se que a sua competência fundamental era a “reflexão” e a “interpretação”. Na verdade, reflexão e interpretação são competências transversais que podem ser exercitadas em qualquer disciplina.Michel Tozzi começou em 1989 a difundir a ideia de que a filosofia precisa de ter uma didática específica, que consiste no desenvolvimento de três competências essenciais: conceptualização, problematização, argumentação.Com a emergência do ensino de massas, a Filosofia entendida como exercício meramente gramatical, semântico e hermenêutico encerrou a sua falência dentro de si própria. Deixando de ser possível a defesa de uma didática da filosofia como disciplina investigativa, torna-se então urgente definir uma didática da filosofia que lhe fixe o objeto, os objetivos e o método, bem como os seus suportes. Objetivos como “desenvolver o espírito crítico” tornaram-se demasiado vagos e imprecisos, logo inaceitáveis, diz Tozzi (note-se: 1990, Paris). Logo, ensinar a filosofar implicará aquelas três competências específicas essenciais já referidas –  conceptualizar, problematizar, argumentar.

Neste artigo, Neves Vicente apresenta técnicas de didatização destas competências específicas e conclui que é o próprio lugar da filosofia no ensino secundário que está em jogo, sobretudo em Portugal, único país do mundo em que a filosofia é universal no ensino secundário para jovens com 15 anos. Apesar das críticas ao modelo de Tozzi, Neves Vicente defende a urgência de assegurar a escolarização da filosofia através da aceitação das competências enunciadas, às quais acrescenta a análise, o comentário e a dissertação e releva a importância da Psicologia Cognitiva na fundamentação de uma didática da filosofia.

Resta colocar uma questão: houve alguma evolução significativa na didática da Filosofia desde 1990?

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3 Comments

  1. Na faculdade falamos muito em Izuzquiza, na disciplina de didáctica da filosofia.

    http://sepfi.es/i-izuzquiza-la-clase-de-filosofia-como-simulacion-de-la-actividad-filosofica/

    I.IZUZQUIZA. La clase de filosofía como simulación de la actividad filosófica.
    I.IZUZQUIZA. La clase de filosofía como simulación de la actividad filosófica.
    By admin on 17 mayo, 2012

    I.IZUZQUIZA. La clase de filosofía como simulación de la actividad filosófica. Madrid. Anaya. 1982.

    La obra de I. Izuzquiza no es sólo un libro de Didáctica de la Filosofía en un sentido estricto, sino sobre todo una reflexión de su actividad docente como profesor de filosofía en Institutos de Enseñanza Secundaria. El autor trata desde el primer momento de luchar contra tres graves defectos que en su opinión adolece la enseñanza de la filosofía en el nivel de la Secundaria: el pedagogismo, la falsa divulgación de “lo filosófico” y el “verbalismo magistral”. Partiendo de estos presupuestos, el autor insiste en que no pretende dar lecciones dogmáticas ni de psicología ni de pedagogía, sino defender un modelo didáctico que tiene una seria base teórica: la teoría de la simulación gnoseológica.

    El libro se compone de cuatro capítulos en los que se combina la reflexión teórica con las actividades prácticas del aula y un apéndice práctico de ejemplificación de una clase de Filosofía en el Bachillerato. El hilo conductor de la obra es la hipótesis de que es posible y deseable enseñar a elaborar un discurso filosófico al alumnado de Secundaria y de que se enseña a filosofar enseñando filosofía.

    Asimismo, la base teórica que fundamenta y justifica todas las actividades explicadas y desarrolladas en el libro del profesor radica en la consideración de la “clase de filosofa como laboratorio conceptual”. Esta tesis viene a coincidir con proyectos actuales de didáctica de la filosofía que insisten en que el alumnado debe constituir junto al profesorado una “comunidad de investigación filosófica” y debe elaborar los conceptos filosóficos bajo la guía y con la ayuda del profesor/a de filosofía. El aprendizaje de la filosofía tiene que ser “una simulación cognitiva“, ya que intenta seguir los pasos del ejercicio filosófico de los grandes maestros del pensamiento occidental.

    Los títulos de los capítulos indican claramente cuál es su significado. El capítulo 1, está dedicado a los presupuestos teóricos: la simulación gonoseológica en una clase de filosofía. El capítulo 2, titulado La elaboración del discurso filosófico en la clase de filosofía, analiza el paso de la reflexión personal a la comunidad filosófica del grupo-clase. En el capítulo 3, I. Izuzquiza expone con detalle algunos recursos y medios para crear la comunidad filosófica en clase: la Biblioteca, el archivo de fichas, el cuaderno de clase, el trabajo en grupo, etc. El capítulo 4, es una muestra bastante amplia y variada de ejercicios y experimentos conceptuales en los que juega un papel muy importante el análisis del lenguaje tanto ordinario como filosófico. Su contenido responde totalmente a lo que indica su título: Una selección de ejercicios y experimentos conceptuales. El último apartado del libro titulado Apéndice: hacer filosofía en clase, es una colección de ejemplos didácticos de sesiones de clase acerca sobre todo de problemas filosóficos.

    En líneas generales este libro resulta muy útil, no para remedarlo ni para imitarlo mecánicamente, sino para inspirarse en él de modo creativo. Probablemente su único defecto es el considerar la actividad filosófica en el aula desde la perspectiva exclusivamente epistemológica, conceptual, y el no ampliar también la educación filosófica a otros aspectos muy importantes en el terreno educativo, como la crítica racional de los prejuicios ideológicos, las actitudes éticas y los sentimientos humanos. En ese sentido se echa en falta el análisis racional de la conducta humana en todas sus vertientes.

    – See more at: http://sepfi.es/i-izuzquiza-la-clase-de-filosofia-como-simulacion-de-la-actividad-filosofica/#sthash.SmmZnSme.dpuf

  2. Na faculdade (UCP – Braga)também abordamos muito Izuzquiza e o conceito da sala de aula como laboratório conceptual.
    Desde 2007 que no meu trabalho com crianças, adolescentes, adultos e formação de professores, os exercícios e práticas que dinamizo têm como objectivo desenvolver as competências enumeradas por Tozzi e desenvolvidas por Brenifier. São o cerne do filosofar e condição de possibilidade do mesmo. Mas não se ensinam, provocam-se através do questionamento, da reflexão e crítica sobre o próprio discurso, tornando conscientes os processos do pensamento e fundamentalmente as suas “patologias”.

  3. O fundamental na obra de Izuzquiza é a ideia de constituir em cada sala de aula uma espécie de comunidade de investigação filosófica, replicando os passos dos grandes filósofos e exercitando a competência de conceptualização. Note-se: anos 80.
    Frédéric Cossutta também tem uma obra, “Didáctica da Filosofia” onde trata sobretudo dos conceitos filosóficos; transforma a estratégia discursiva em “meios de validação filosófica” e salienta a importância da unidade e coerência do texto filosófico. Note-se: 1989.
    Mas é em Tozzi, e mais tarde em Brenifier, que se encontram claramente explícitas as competências específicas da Filosofia – conceptualizar, problematizar, argumentar. Curioso: Tozzi faz a maior parte da sua produção a partir de 1989/1990, e Brenifier funda em 1995 o Instituto de Práticas Filosóficas (IPP).

    Portanto: se estes estudos têm já duas décadas, não seria suposto que as práticas pedagógicas em filosofia se estivessem a orientar para a constituição de comunidades de aprendizagem baseadas nas três competências especificamente filosóficas?

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