Prova 714/1.ª Fase – Grupo 1, Questão 2

Quando Kant propõe […], enquanto princípio fundamental da moral, a lei «Age de modo que a tua regra de conduta possa ser adotada como lei por todos os seres racionais», reconhece virtualmente que o interesse coletivo da humanidade, ou, pelo menos, o interesse indiscriminado da humanidade, tem de estar na mente do agente quando este determina conscienciosamente a moralidade do ato. Caso contrário, Kant estaria [a] usar palavras vazias, pois nem sequer se pode defender plausivelmente que mesmo uma regra de absoluto egoísmo não poderia ser adotada por todos os seres racionais, isto é, que a natureza das coisas coloca um obstáculo insuperável à sua adoção. Para dar algum significado ao princípio de Kant, o sentido a atribuir-lhe tem de ser o de que devemos moldar a nossa conduta segundo uma regra que todos os seres racionais possam adotar com benefício para o seu interesse coletivo.

John Stuart Mill, Utilitarismo, Porto, Porto Editora, 2005

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