Queres ciência? Vai ao repositório!

Luís Magalhães explica em entrevista o que podemos descobrir no
Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP).

O presidente da UMIC – Agência para a Sociedade do Conhecimento lembra que
a produção científica só tem a ganhar com a disseminação do conhecimento e
quer agregar todas as universidades portuguesas no portal recém-estreado
pelo RCAAP na Internet (http://www.rcaap.pt).

Quais as metas fixadas para o Repositório Científico de Acesso Aberto de
Portugal (RCAP)?
Com o RCAAP, quisemos criar um repositório de âmbito nacional com duas
características: um ponto de entrada e pesquisa de todos os repositórios
de acesso aberto aderentes; e um lugar de alojamento providenciado pela
Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), com financiamento
da UMIC, para que instituições sem repositórios possam criar os seus, sem
fazer investimentos. A Universidade do Minho foi pioneira, mas desde 2007,
começaram a aparecer outros repositórios. Hoje, há (no RCAAP) seis
repositórios que já estavam constituídos por instituições universitárias.
Decidiu-se que a pesquisa integrada do RCAAP deveria abranger cinco dos
seis repositórios já criados. Além disso, juntaram-se seis novos
repositórios. O objectivo é criar um movimento nacional para alojar, no
RCAAP, informação científica de acesso aberto. Podem ser teses de
mestrado, doutoramento, licenciatura, artigos científicos ou
pré-publicações.

É um serviço apenas para a comunidade científica?
O serviço está alojado num site de acesso completamente livre. Logo,
qualquer pessoa pode aceder. Há um motor de pesquisa e uma estrutura de
meta-informação que é unificada para todos os repositórios. O que permite
pesquisar todos os repositórios da mesma forma, independentemente do local
onde está alojado.

Os laboratórios privados também podem aderir?
O alojamento fornecido pela FCCN é livre e gratuito para todas as
instituições do ensino superior ou instituições que sejam reconhecidas
pelas Fundação da Ciência e Tecnologia (FCT) como entidades de
investigação, sejam públicas ou privadas, ou laboratórios do Estado.
Depois da adesão dos seis novos repositórios, o nosso objectivo é a
universalidade. Isto é, que todas as universidades acabem por aderir com
repositórios de acesso aberto. Há estudos que referem que o prestígio das
instituições regista saltos gigantescos a nível mundial, quando passam a
ter repositórios de acesso aberto de dimensão considerável. Foi o que se
verificou com a Universidade do Minho, que tem já quase 7500 documentos.
Como é que o RCAAP salvaguarda a autoria dos artigos? Sendo um repositório
de acesso aberto, os autores sabem que estão a dar acesso livre à
informação que produzem. Mas podem usar convenções de protecção de
direitos de autor, como a Creative Commons, para proteger parte ou a
totalidade do acesso. Tipicamente, estes repositórios agregam material
disponibilizado livremente, sem preservação de direitos, que não seja a
obrigação de citar o autor.

A comunidade científica nacional tem capacidade para colocar o RCAAP no
mapa das tecnologias mundiais?
Em Portugal, verificou-se um aumento considerável no número de
investigadores. Logo, apenas é preciso que haja um movimento nas
instituições e comunidades científicas para aderir a esta forma de
divulgação. Algumas instituições financiadoras de alguns países já exigem
que, após um período de embargo, as publicações sejam obrigatoriamente
disponibilizadas em regime de acesso aberto. Por exemplo, a Welcome Trust,
fundação que financia investigação na saúde, adoptou essa política. O
European Research Council e os institutos de investigação de saúde dos EUA
fizeram o mesmo. À medida que os estados vão tendo repositórios de acesso
aberto as instituições financiadoras vão enveredando por este modelo em
que se exige um período de embargo para os editores fazerem negócio, mas
depois cria o acesso aberto.

Hugo Séneca

http://exameinformatica.clix.pt/noticias/mercados/1001536.html

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