Terá a vida sentido sem Deus?

Paula Cristina Alves Teixeira
Escola Secundária da Trofa
Ano Lectivo 2007/8

Pretendo, com este ensaio, fazer uma reflexão pessoal acerca do sentido da existência e reflectir sobre se a mesma terá sentido sem Deus, tendo como base as diferentes teorias de Soren Kierkegaard, que defende que Deus é o sentido da nossa existência (existencialismo cristão), Jean-Paul Sartre, que defende exactamente o contrário (existencialismo ateu) e Desidério Murcho, que nos apresenta a alternativa naturalista.

A ideia mais popular é a de que Deus é o único sentido da nossa existência. No entanto, podemos colocar a questão: que certezas temos nós acerca da efectiva existência de Deus? Não existe nada que nos prove a sua existência ou não existência, pelo que não faz muito sentido atribuir o sentido da nossa vida a uma possível ilusão. Não terá mais sentido a nossas existência se o nosso caminho se pautar por finalidades e acções com objectivos, valores éticos e morais que contribuam para o Bem universal? Na minha perspectiva, a resposta a esta questão é afirmativa, se as nossas escolhas e os nossos conhecimentos forem usados em pró da humanidade.

Desidério Murcho refere alguns argumentos na sua teoria que vão ao encontro da minha posição. A vida humana pode fazer sentido se a ética é objectiva e se lutarmos por valores éticos correctos, como a conservação da natureza, o combate à fome, a luta contra a guerra e a construção de um mundo melhor para os nossos filhos.
Logo, a nossa vida tem valor se cultivarmos esses nobres valores éticos a favor do Bem universal. Se a vida que vivermos for mesquinha e centrada apenas em nós próprios, não terá grande sentido a nossa existência, pois não tem valor universal.

Jean-Paul Sartre defende na sua teoria algo que também vai ao encontro desta reflexão. O ser humano é um ser livre que deve utilizar a sua liberdade para atingir a essência do que é ser humano. Deus é apenas a esperança e a ilusão daquilo que cada homem gostaria de ser.
Mas existem objecções a esta posição. Para um teísta, a existência só tem sentido porque Deus é o criador de todo o Universo o que, só por si, garante um sentido para a nossa existência. A finalidade da vida humana é a felicidade que, não podendo ser alcançada nesta vida cheia de vicissitudes, será vivida após a morte, alcançando a felicidade eterna no Paraíso onde a alma viverá em comunhão com o próprio Deus. A eternidade só pode ser alcançada através da fé e do sofrimento e não pelo conhecimento do mundo.

Mas não concordo com estas objecções, pelo que passo a refutá-las.

Como posso afirmar a existência ou não existência de Deus? Esta é uma das primeiras questões que podemos colocar perante as perspectivas teísta e ateísta. Se os desígnios de Deus são divinos e incompreensíveis, como sei o que Ele prevê como sentido para a existência? Por que razão devo levar uma vida de culpa e sofrimento? Na perspectiva teísta, esse é o caminho para a felicidade eterna e essa é a ilusão que dá sentido à vida. E qual será, então, o sentido de uma Eterna Felicidade?

Concluo então que não sendo a minha vida resultado da vontade de uma entidade divina mas apenas o resultado das leis da natureza, apenas eu e só eu posso atribuir sentido à minha existência.
Então, ainda assim, dois caminhos a seguir. Posso viver uma vida de acordo com os nossos valores éticos procurando e aprofundando o conhecimento e aplicando-o em prol de um verdadeiro amor à Humanidade. Atribuo assim um verdadeiro sentido à minha existência lutando contra a pobreza, combatendo a guerra, a fome, lutando pelo direito à educação e lutando tenazmente pelos Direitos Humanos. Ou posso atribuir um sentido à minha existência centrando-me apenas em mim própria, vivendo uma vida fútil, o que poderá ser muito bom e agradável mas sem valor universal.
A escolha está nas minhas, nas tuas, nas nossas mãos. Sigamos sempre a razão, embora a uns agrade e outros não, porque a razão, ainda que severa, é sempre a amiga mais sincera.

Fontes bibliográficas:

  • Warburton, Nigel – Elementos Básicos de Filosofia. Lisboa: Gradiva
  • Rodrigues, Luís, Filosofia 10. Lisboa: Plátano Editora

Outras referências:

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Licenciado em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 1995, é Professor no Ensino Secundário desde 1994/5 e Formador de professores, com o registo CCPFC/RFO-38329/17. Mestre em Ensino de Filosofia (Faculdade de Letras da Universidade do Porto). Mestre em Pedagogia do e-learning (Universidade Aberta). Site pessoal: http://sergiolagoa.wordpress.com . Coeditor do site Mil Folhas -- http://www.milfolhas.net Contacto: aulas.sergiolagoa@gmail.com

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Publicado em Trabalhos de alunos
5 comentários sobre “Terá a vida sentido sem Deus?
  1. jeniffer diz:

    o conhecimento humano levanos a refutar a existencia de Deus e vejo que esse é o seu caso mas o que adianta o homem ganhar e conhecer o mundo inteiro e perder a sua alma? faça uma expériancia com Deus, peça a Ele que se revele a voce e que Ele prove para voce se Ele existe ou não portanto não afirme algo que voce nunca sentiu ou viveu, pois posso garantir a voce que o dia que voce descobrir quem é Deus certamente se apixonará por Ele e perguntará a voce mema:_ por que passei tanto tempo sem descobrir o seu amor? bjos e Deus ama voce independente se voce acredita nele ou não!

  2. Paula diz:

    este trabalho é uma refleção pessoal,no contexto de um ensaio filosófico que o professor de filosofia nos propoem fazer, visto estarmos a´estudar a filosofia da religião.LOgo não pretendo ferir sentimentos de outras pessoas é apenas um devate de ideeias e uma. opinião livre e filosofica

  3. Cara Paula

    A sua reflexão está bastante interessante. Este também é um assunto que gosto de abordar, pensar e investigar.

    “Se os desígnios de Deus são divinos e incompreensíveis, como sei o que Ele prevê como sentido para a existência?”
    Achei que poderia colocar um pouco da minha opinião em relação a esta frase específicamente.

    Tenho verificado que muitas das coisas referentes a Deus, perante a minha investigação pessoal, são incompreensíveis, mas não todas.

    Embora não pretenda fazer um “debate ferranho”, penso que há um factor a ponderar: a pessoa de Cristo.

    Quando olho para a Sua vida e biografia (pela leitura das Escrituras Sagradas), compreendo que Cristo é a revelação de Deus em carne e osso. Não consigo compreender tudo acerca dessa realidade, mas o facto é que muitos homens e mulheres que viveram com Ele e escreveram acerca d’Ele deram a vida por acreditarem nessa realidade.

    O desafio de experimentar conhecer Cristo fica, como uma sincera busca pela verdade.

    Abraço!

  4. Paula diz:

    ola,fico muito contente por houvir opiniões divergentes da minha,no entanto gostava muito de fizem se uma avaliação filosofica do assunto e não pessoal.Fico a espera

  5. Cleide diz:

    Sinta no ar, nas flores, no canto dos pássoros, no brilho da lua, para um pouquinho que sentirá a presença de Deus. Ele é “tudo” não duvide pois ele te amo… mesmo você duvidando da sua existência. Um abraço!

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