Viver para quê? – Ensaios sobre o sentido da vida,

A felicidade é a finalidade última da nossa existência: esta ideia tem sido defendida muitas vezes ao longo da história da filosofia. Ao abordarmos esta questão, convém, no entanto, não deslizar para o subjectivismo recusando a possibilidade de haver um carácter objectivo no conteúdo da felicidade que vale a pena perseguir como objectivo de vida. Equilibrar o nosso discurso nem sempre é fácil. Vem isto a propósito do recente livro traduzido e organizado por Desidério Murcho «Viver para quê? – Ensaios sobre o sentido da vida». Na introdução a este livro o autor elabora um mapa conceptual do tema rigoroso e esclarecedor da sua profundidade. Imprescindível para qualquer professor que aborde este assunto nas suas aulas.
«Porque a nossa felicidade pode rapidamente ser vista como uma finalidade última, pode-se ser levado a adoptar uma perspectiva subjectivista das finalidades últimas, que seriam então seja o que for que nos faça feliz, sem que a nossa felicidade tenha qualquer conexão com a realidade e com a racionalidade.
Contudo é uma ilusão pensar que uma coisa se segue facilmente da outra. Podemos perfeitamente defender que a nossa felicidade é uma finalidade última, mas ao mesmo tempo reconhecer que, por sermos agentes racionais e por estarmos inseridos numa realidade, a nossa felicidade mantém uma conexão essencial com a racionalidade e a realidade. Ou seja, podemos recusar que no que respeita à nossa felicidade tudo conta; podemos defender que a nossa felicidade depende crucialmente da conexão da nossa vida com a realidade e da capacidade que temos para justificar as nossas opções.»
Desidério Murcho, «Introdução», em Viver para quê? – Ensaios sobre o sentido da vida, Dinalivro, p. 22.
Blogue em http://paginasdefilosofia.blogspot.com
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