Sociologia e doutrinação ideológica

O blogue Ponteiros Parados levanta uma discussão interessante: será a Sociologia uma disciplina com um cunho político ou ideológico?

Acrescentamos nós: nota-se algum tipo de tendência política ou ideológica nos programas de Filosofia, Área de Integração, Área de Estudo da Comunidade, Psicologia ou Cidadania e Profissionalidade, só para citar aqueles que mais próximos estão do Grupo 410?

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3 Comments

  1. Não lecciono Filosofia há três anos. Em contrapartida, se é que isto é uma contrapartida, tenho leccionado os vários sucedâneos da Filosofia e da Sociologia, como a Área de Integração, Cidadania e Profissionalidade e Área de Estudo da Comunidade.

    Quanto a esta última, não tenho grandes dúvidas em afirmar que se trata de uma disciplina ideologicamente marcada. O exercício que proponho aos leitores é que consultem a bibliografia recomendada em cada um dos módulos programáticos: provavelmente, encontrarão algumas coincidências e redundâncias…

    A disciplina tem um cunho ideológico muito forte que não deixa espaço para discussão crítica e racional. Há um discurso politicamente correcto sobre as minorias, as desigualdades, os desfavorecidos, blá blá blá. Não estando em desacordo com a necessidade de proteger as minorias – e gostaria que isto ficasse muito claro – não deixo simultaneamente de considerar que se educamos para os valores, então teremos de considerar com que critérios seleccionamos esses valores.
    Isto poderia levar-nos a uma outra discussão: a escola serve para educar ou para instruir? Mas isso dá pano para mangas.

  2. Este problema é evidente na questão filosófica da justiça social. Faz parte do programa de filosofia, mas a maioria dos manuais esquece a defesa do Estado mínimo contra a visão do Estado Social. Se ensinamos a liberdade de expressão como valor da sociedade contemporânea, então todas as opiniões devem ser ponderadas e nenhuma deve ser «aconselhada». Catequese é noutro lugar! Eu, sendo um defensor do Estado Social, abordo Nozick e a sua defesa do Estado Mínimo procurando sempre não «evangelizar» os alunos na minha fé.
    Mas onde traçar o limite da neutralidade? É que existem valores que mesmo o prof. mais neutro não consegue evitar doutrinar.

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