Daniel Dennett sobre Determinismo e Libertismo

dennettDennett: O determinismo não é um problema. O que queremos é liberdade, e liberdade e determinismo são inteiramente compatíveis. De facto temos mais liberdade se o determinismo for verdadeiro do que se não for.

REASON: Porquê?

Dennett: Porque se o determinismo for verdadeiro, então existe menos aleatoriedade. Existe menos imprevisibilidade. Para haver liberdade precisamos da capacidade de fazer juízos confiáveis acerca do que se passará a seguir, de forma a basear a nossa acção neles.

Imagine que tem de atravessar um capo e tem relâmpagos por perto. Se o mundo é determinado, então existe alguma esperança de saber onde o relâmpago vai cair. Podemos obter informação antecipadamente e depois programar a nossa corrida. É muito melhor do que ter de confiar num processo aleatório. Se é aleatório, então estamos à sua mercê. (…)

O fatalismo é a ideia de que algo vai acontecer não importa o que se faça. O Determinismo é a ideia que o que se faz depende. O que acontece depende do que sabemos, o que sabemos depende do que aprendemos e por aí em diante – mas o que se faz conta, tem relevância. Existe uma grande diferença entre isto e o fatalismo. O Fatalismo é o Determinismo sem o «eu». (…) Quero quebrar o mau hábito de colocar o determinismo e a inevitabilidade em conjunto. Inevitabilidade significa inescapabilidade, e se pensarmos acerca do que escapar/evitar significa, então compreendemos que num mundo determinista existe imensa evitação. A capacidade para evitar tem evoluído ao longo dos milhões de anos. Existem bons evitadores agora. Não existe nenhum conflito entre ser um evitador e viver num mundo determinista. (…)

REASON: O que quer dizer quando chama aos seres humanos «máquinas de escolher»?

Dennett: Essa expressão é na verdade de Gary Drescher, um teórico da Inteligência artificial. Ele distingue «máquinas de escolher» de «máquinas de situação-acção». Estas são construídas com um conjunto de regras que dizem «Se estiver na situação x, faça A», «Se estiver na situação y, faça B», e por aí fora. É como se tivéssemos uma lista na carteira para consultar sempre que fosse necessário tomar decisões importantes. Se existirem as condições para uma decisão particular, então agiríamos. Não saberíamos porquê. A regra afirma apenas faz.

Uma «máquina de escolher» é diferente, pois olha para o mundo e vê opções, e diz «Se faço isto, o que acontecerá?», «Se faço aquilo, o que acontecerá?», «Se fizer outra coisa o que acontecerá?». Ela constrói uma antecipação do resultado provável de cada acção, e depois escolhe com base no valor ou desvalor desse resultado.

Elas são ambas máquinas, mas uma delas é muito mais livre do que a outra, já que escolhe as suas acções na base dos seus valores, e escolhe o que valoriza baseado no que sabe.

Excerto de uma entrevista de Daniel Dennett à revista REASON a propósito da edição do seu livro «A liberdade evolui»; entrevista conduzida por Ronald Bailey e que pode ser encontrada aqui.

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